O que vale mais, uma imagem ou mil palavras? No caso de marcas, a questão seria: o que tem mais valor econômico, todas as instalações de produção de um produto conhecido ou o símbolo que o identifica para seus consumidores? Expressões como Pepsi ou Coca-Cola, ou símbolos como o da Nike, são conhecidos praticamente no mundo todo. A linguagem da marca tornou-se uma linguagem universal. Portanto, juntamente com as patentes, é uma ferramenta indispensável no comércio internacional.
A tradição materialista das sociedades modernas fomentou uma situação em que os ativos intangíveis foram subvalorizados durante muitos anos. Tal como o papel da dona de casa na economia espanhola, a propriedade industrial passou despercebida no nosso país durante décadas.
No entanto, já foi comprovado que os sinais distintivos de uma empresa — aqueles que a diferenciam dos consumidores e concorrentes — constituem um ativo de grande valor. Mas como calcular o valor de uma marca, se ela é um ativo intangível? Segundo especialistas, "o valor de uma marca é igual à receita gerada pelo produto ou serviço que ela representa". Uma vez registrada, uma marca pode ser comprada, vendida, herdada ou até mesmo usada como garantia para um empréstimo hipotecário. Portanto, apesar de ser um ativo intangível, ela possui um valor econômico muitas vezes desconhecido.
No entanto, é importante lembrar que o desempenho de uma marca também depende do espírito empreendedor de seu criador, e não apenas dos direitos comerciais que ela concede. Nesse sentido, "a decisão empresarial de investir em marcas não deve ser encarada como uma simples questão de obtenção de retornos a curto prazo sem uma estratégia de negócios sólida", explica Manuel Moreno, advogado especializado em direito da propriedade intelectual.
Assim, a decisão de registrar uma marca no mercado internacional depende exclusivamente da projeção de cada empresa; ou seja, responde à pergunta: "Onde vendo meus produtos?" e, consequentemente, "Onde devo protegê-los?".
OEPM, OAMI e OMPI
Após obter a resposta para essa pergunta, o próximo passo é entrar em contato com o órgão de proteção da propriedade industrial competente. Na Espanha, esse órgão é o Escritório Espanhol de Patentes e Marcas (OEPM). O processo de registro de uma marca nacional leva aproximadamente 15 meses e envolve uma taxa de € 140.
No caso das marcas da UE, é impossível limitar o âmbito geográfico de uma marca ou patente a um único Estado-membro da UE. Graças ao Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO) – cujo escritório espanhol se situa em Alicante – o âmbito de aplicação, uma vez registado, estende-se a todo o território da UE. Neste caso, o tempo médio de registo é de aproximadamente 12 meses e o custo ronda os 1.000 €.
Por fim, no que diz respeito ao procedimento de registro internacional, cabe ressaltar que não se trata de patentear uma única ideia, mas sim de integrar um conjunto de marcas nacionais por meio de um único processo de solicitação. Através do procedimento internacional, regido pelo Acordo de Madri e seu Protocolo, é possível obter proteção em até 73 países com o depósito de um único pedido junto ao Escritório Espanhol de Patentes e Marcas (OEPM), para posterior encaminhamento ao Escritório Internacional da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) em Genebra.
Dada a complexidade do processo internacional de registro de marcas, surgiram empresas especializadas em apresentar pedidos de registro diretamente ao órgão competente do país onde se deseja a proteção da marca.
Uma dessas empresas é a Marcas USA, com sede em Zaragoza e escritórios na Califórnia, que oferece serviços de consultoria, registro e solicitação de marcas comerciais e de serviço junto ao Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO). Segundo Andrés Sus, CEO da empresa, "O USPTO presta o serviço e cobra do USPTO espanhol, que repassa o custo para o cliente final. Eliminamos um intermediário no processo, resultando em uma economia de mais de 50% para as empresas espanholas. Além disso, cuidamos de todo o processo do início ao fim, para que o empresário sempre saiba quem está gerenciando o registro de sua marca." O site da empresa é www.uspto.gov.
Quando expira uma marca registrada?
Existem diversas razões pelas quais uma marca registrada pode expirar. A mais comum geralmente é a falta de renovação do registro após os dez anos estipulados por lei. No entanto, também pode ocorrer devido à renúncia do proprietário da marca ou a cinco anos consecutivos de não utilização. Outras causas de expiração incluem a genericização, ou seja, quando a marca se torna o nome comum dos produtos ou serviços que designa, e quando, como resultado do uso indevido pelo proprietário, a marca pode induzir o público a erro quanto à natureza, qualidade ou origem geográfica dos produtos ou serviços que designa.
As patentes têm validade de 20 anos. Ao contrário das marcas registradas, seu registro não é renovável. Portanto, após esse período, a patente passa a fazer parte da propriedade intelectual da empresa. Em contrapartida, as marcas registradas continuam associadas a um produto indefinidamente, desde que as regras de expiração mencionadas sejam cumpridas.
Marcas.com
Com o advento das novas tecnologias e da internet, a chamada "ciberocupação" de nomes de domínio proliferou no campo da propriedade intelectual, substituindo a pirataria tradicional de marcas registradas. Na realidade, um domínio nada mais é do que um conjunto de números que, devido à dificuldade de memorização, foram transformados em letras e palavras — e até mesmo em números em alguns casos — tornando-se, assim, equivalentes a marcas registradas.
No entanto, existem diferenças notáveis entre o registro de marcas e o registro de domínios. Enquanto as marcas estão sujeitas a um rigoroso procedimento administrativo, os domínios operam com base no princípio "quem chega primeiro, leva", ou seja, quem chega primeiro fica com o domínio. Isso permite que hackers registrem um domínio, mesmo que estejam isentos dos direitos exclusivos que as marcas concedem aos seus legítimos proprietários. Nas palavras de Manuel Moreno, "O número de cybersquatters está diminuindo, mas eles estão se tornando cada vez mais especializados, o que os torna mais difíceis de combater."



