A Região de Múrcia liderou o crescimento econômico espanhol em 2003 e tudo indica que continuará a fazê-lo em 2004. A força do consumo interno e o aproveitamento do boom em certos setores, como a construção civil, parecem ser os motivos desse sucesso.
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Localizada no sudeste da Península Ibérica, com pouco mais de 11.300 quilômetros quadrados de área, representando 2,23% do território espanhol, e uma população de quase 1,3 milhão de habitantes, a Região de Múrcia tem sido destaque nos últimos anos em relação ao crescimento econômico da Comunidade Autônoma espanhola. Por exemplo, na última edição da Moneda Única, noticiamos o mais recente relatório Hispalink, elaborado pela rede de equipes econômicas de 18 universidades espanholas e patrocinado pelas Câmaras de Comércio, que previu que Múrcia, juntamente com Castela e Leão, lideraria o crescimento econômico em 2004. Essa notícia não é totalmente nova, visto que Múrcia já havia superado o crescimento econômico nacional em 2003, com um aumento do PIB de 3,3%, superando a taxa nacional em quase um ponto percentual e ultrapassando até mesmo as expectativas mais otimistas geradas dentro da própria Região. Essa continuidade nos resultados econômicos levou Múrcia a aumentar seu peso relativo no PIB espanhol e a atingir um nível de convergência com a União Europeia de 83%, algo sem precedentes na história moderna da região.
Raio-X econômico
Atualmente, a economia de Múrcia representa mais de 2% da economia nacional, com uma contribuição para o Valor Acrescentado Bruto (VAB) nacional de 2,9% em 2003. O crescimento económico registado nesse ano situa-se entre os 2,7% indicados pela Hispalink e os 2,9% refletidos pela Public Administration Consultants, passando pelos 2,8% apontados pela Fundação das Caixas Económicas Confederadas (Funcas).
Entre os fatores que contribuíram para o desempenho econômico positivo de Múrcia em 2003, destacou-se a força do consumo interno, cujos indicadores superaram em muito os de 2002, impulsionados principalmente pelo crescimento do emprego na região e pelo consequente aumento da renda familiar. Isso se refletiu no aumento do consumo de eletricidade, na expansão dos empréstimos bancários ao setor privado e em um aumento significativo das importações de bens de consumo. Além disso, como observado pela Câmara de Comércio de Múrcia, o investimento também foi estimulado por uma perspectiva econômica positiva.
Por setor, a construção civil foi o mais dinâmico e o que mais contribuiu para o crescimento econômico da região. Tanto as obras residenciais quanto as públicas apresentaram desempenho satisfatório, o que impactou diretamente o consumo de cimento, que aumentou 30,9%, e o consumo de energia elétrica, que cresceu 22% em comparação com 2002.
A indústria de Múrcia também apresentou um desempenho positivo, alcançando um crescimento de 1,8% no Valor Adicionado Bruto (VAB) dos setores industriais, meio ponto percentual acima da média nacional. O dinamismo do setor foi mais acentuado nas atividades energéticas, enquanto foi mais moderado na indústria de transformação. A análise da estrutura produtiva regional revela que, desde 1996, o setor industrial tem ganhado terreno de forma constante, atingindo 20,2% do total em 2003. Isso proporciona maior estabilidade ao modelo econômico de Múrcia, por ser um setor menos cíclico do que outros, como a construção civil. Durante esse período, de 1996 a 2003, a produtividade industrial aumentou 1,7%. Além disso, segundo o Inquérito Anual de Produtos Industriais de 2003, o valor das vendas de produtos industriais atingiu 7.800 bilhões de euros, 2,4% do total nacional, com um aumento de 6,4% em comparação com 2002, o quinto maior entre as Comunidades Autônomas.
O setor agrícola apresentou as taxas de crescimento mais moderadas. No entanto, continua sendo um setor com uma contribuição muito alta para a economia de Múrcia, representando quase 10% do Valor Adicionado Bruto (VAB) e 16% do emprego regional. Além disso, a agricultura e a pesca de Múrcia constituem uma parte significativa dessas atividades em nível nacional, o que demonstra a importância contínua do setor primário nesta região, especialmente considerando que, graças às exportações de produtos agroalimentares, a Região de Múrcia se consolidou como uma forte concorrente nos mercados externos.
Comércio exterior
Apesar da sua forte competitividade internacional no setor agrícola, Múrcia apresenta uma balança comercial negativa, principalmente devido ao elevado volume de importações de bens de capital e produtos industriais. Isto acontece mesmo que as exportações de Múrcia tenham aumentado 2,88% em 2003 e o crescimento das importações nesse mesmo ano tenha sido de apenas 1%.
Em 2003, a Região de Múrcia exportou mercadorias no valor de 3.954 mil milhões de euros, quase 2,87% do total das exportações espanholas. Entre as comunidades autónomas de Espanha, a Região de Múrcia ocupa o décimo lugar em exportações. Contudo, se nos concentrarmos no período de 2000 a 2003, sobe para o segundo lugar, o que demonstra o dinamismo e a ambição da região, que nos últimos anos tem demonstrado um forte empenho na procura de oportunidades para além das fronteiras espanholas.
Tal como acontece com as outras Comunidades Autónomas espanholas, a Europa é o mercado natural para as exportações de Múrcia. Por país, a Alemanha, o Reino Unido e a França consolidaram-se nos últimos anos como os principais parceiros comerciais da região. Em menor escala, mas ainda desempenhando um papel importante como destinatários dos produtos murcianos, destacam-se a Itália, os Países Baixos, as Ilhas Caimão, os Estados Unidos, Portugal, o Japão e a Bélgica.
Por setor, a indústria agroalimentar lidera: mais de 21% das exportações da Região de Múrcia entre 2000 e 2003 foram de produtos agroalimentares. Plásticos e produtos farmacêuticos são os outros dois principais setores de exportação da região.
Como mencionado anteriormente, Múrcia apresenta uma balança comercial negativa, que em 2003 atingiu -€932,75 milhões. No entanto, este resultado decorre da excessiva dependência energética da economia murciana. Um estudo realizado pelo Instituto Espanhol de Comércio Exterior (ICEX) revela que 56,5% das suas importações estão diretamente relacionadas com combustíveis minerais. Em menor escala, Múrcia importa materiais relacionados com a navegação marítima ou fluvial (5,61% do total das importações), reatores nucleares (3,49%) e plásticos e produtos de plástico (2,78%).
Agências de promoção do comércio exterior
Na Região de Múrcia, duas organizações são responsáveis pela promoção do comércio exterior: a Câmara de Comércio, Indústria e Navegação de Múrcia e o INFO (Agência Regional de Desenvolvimento), através do seu Departamento de Comércio Exterior. Ambas são responsáveis pela implementação do Plano de Promoção do Comércio Exterior, que destina os seus recursos financeiros às exportações, com o objetivo de facilitar as relações comerciais internacionais para as PME da Região. A Câmara também organiza regularmente feiras e missões comerciais das quais as empresas de Múrcia podem beneficiar.
Perspectiva promissora
Como mencionado no início, a Região de Múrcia, juntamente com Castela e Leão, deverá liderar o crescimento econômico em 2004, de acordo com o último relatório da Hispalink. Esse otimismo também se espalhou entre as empresas de Múrcia. Com base em uma pesquisa realizada pela Câmara de Comércio de Múrcia com mais de 300 empresas da região, as perspectivas de negócios indicam que Múrcia continuará a manter um diferencial de crescimento positivo em comparação com a Espanha como um todo. A construção civil e o comércio são os setores que apresentam a tendência mais negativa no Indicador de Confiança Empresarial para o segundo trimestre deste ano, enquanto a confiança na indústria está melhorando e permanece estável no setor de serviços.
Turismo
Situada no coração do Mediterrâneo, Múrcia oferece uma ampla e variada gama de atrações turísticas. Graças ao seu clima subtropical e semiárido, a região recebe os visitantes com uma temperatura média anual de 18 graus Celsius, invernos amenos e verões quentes, facilmente refrescados nas suas inúmeras praias ao longo do Mar Menor, da Baía de Mazarrón e do litoral de Lorca e Águilas. Sol e areia não faltam, sim; mas Múrcia também oferece um rico património cultural e uma diversidade palpável de cores e paisagens. Arte rupestre, ruínas romanas, cidades visigóticas, influências mouriscas e o legado cristão partilham o nome de Múrcia com as salinas de San Pedro del Pinatar, o Parque Natural de Calblanque, as numerosas reservas naturais da Serra de Espuña e inúmeras outras áreas naturais. Múrcia aguarda o visitante para partilhar o seu passado e presente, sabendo que este ficará maravilhado com as vistas, os aromas e as cores desta terra mediterrânica.





