Portos de refúgio

O desastre do navio M/S PRESTIGE na costa da Galiza, a avaria do Castor no Mediterrâneo, entre outros, trouxeram à tona um tema de grande importância para a segurança marítima e para a proteção do meio ambiente marinho, como os portos de refúgio.

Lembro-me da minha juventude na minha cidade natal, Cádiz, com seus três mil anos de história e porto marítimo por excelência, do meu gosto por ler notícias marítimas na imprensa diária e, de tempos em tempos, surgia a notícia da chegada de algum navio, seja por mau tempo, seja por danos à própria embarcação, ou por ambas as causas simultaneamente.

Continuo com o hábito de ler notícias marítimas em muito mais jornais do que na minha juventude e, curiosamente, sinto falta de ver reportagens sobre navios entrando em portos. Isso é bastante estranho, já que as tempestades ainda ocorrem com a mesma frequência de sempre e os navios, apesar de possuírem tecnologia de ponta, ainda quebram com a mesma frequência que seus antecessores. Portanto, pergunto-me: o que os navios fazem hoje em dia quando encontram uma tempestade ou quebram enquanto navegam perto da costa, se não entram em um porto? Sei que é possível enfrentar tempestades, evitá-las e assim por diante. Mas também sabemos que nem todos os navios podem fazer isso e que, dependendo da condição do navio ou da carga que transporta, não é aconselhável, nem para a segurança da tripulação, do navio, da carga e do meio ambiente marinho, correr o risco de enfrentar uma tempestade se puderem se refugiar em um porto próximo ou em águas abrigadas. Pode ser também que esse risco seja assumido por razões econômicas, ou que os portos mais próximos não atendam às condições adequadas para recebê-los ou, mais conveniente para seus interesses, neguem-lhes a entrada.

Já temos experiência suficiente com acidentes marítimos que ocorrem ao longo dos 7.000 km de costa espanhola e no resto da UE, para salvar não só as tripulações dos navios em perigo de afundar, mas também os navios e a sua carga, especialmente considerando que grande parte das mercadorias transportadas por mar são poluentes para o ambiente marinho e que o mar, mais cedo ou mais tarde, devolve tudo o que nele é despejado, poluindo não só os mares e oceanos, mas também as costas, onde se encontra a maior riqueza marinha.

É bom aprender com os acidentes marítimos e, dependendo do caso, com os erros que os causam, agindo de acordo. E nos últimos acidentes em nossas costas, em todos eles, peçam-nos PORTOS DE REFÚGIO.

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