Perfil cultural, comunicação e comportamento nos negócios

Para compreender os húngaros, dois parâmetros devem ser considerados. Primeiro, o isolamento: a Hungria é uma ilha cultural, linguística e étnica num mar eslavo. Segundo, uma história turbulenta e infeliz que é simultaneamente um fardo pesado e uma fonte de orgulho.
A personalidade deles é forte e complexa. E de certa forma semelhante à nossa: “Os húngaros são pessoas agradáveis, trabalhadoras, inteligentes e astutas. São também particularmente sensíveis, subjetivos, empáticos e orgulhosos (...) Competem com os mediterrâneos no toque, nas interações íntimas e nas expressões afetuosas (...)” (1)
Eles se descrevem como generosos, amigáveis, hospitaleiros, cultos, sofisticados e muito europeus. Mas também já foram rotulados como arrogantes, competitivos e com complexo de superioridade, talvez para compensar sua visão pessimista e autopiedade por terem sido maltratados pela história.
• Estilo de comunicação. É complexo e imprevisível. Tem sido descrito como uma mistura de espontaneidade latina e contenção germânica. Tendem à retórica e ao exagero. O contato visual direto é essencial: indica respeito e confiança. O contato físico é mais frequente e desinibido do que no resto da Europa Central. Seu raciocínio é mais dedutivo do que indutivo. Possuem grande capacidade analítica, atribuída à estrutura complexa e precisa de sua língua.
• O primeiro contato. Com a reputação de ser o país mais formal da Europa Central, a primeira impressão costuma ser formal, até mesmo distante. Isso se deve à preocupação dos húngaros em manter sua dignidade — pessoal, profissional e nacional. Eles precisam estabelecer quem é seu interlocutor e qual é o seu status. O status é importante e determinará o tipo de relacionamento. A extraordinária precisão da língua húngara contribui para isso (por exemplo, existem quatro maneiras de dizer "você" ou "você"). Para se sentirem à vontade, precisam que o relacionamento seja entre iguais e, se acreditarem que esse é o caso, em encontros subsequentes se tornarão progressivamente mais emotivos e relaxados. Eles apreciam cultura, boas maneiras e uma conversa fluida e interessante: não toleram bem o silêncio. Lembre-se de que você será mais valorizado pela sua postura do que pela sua simpatia e informalidade. Os húngaros são muito sensíveis a serem tratados sem o devido respeito. As hierarquias são rígidas e as formalidades são imprescindíveis: os títulos são importantes. Aprenda algumas expressões em húngaro: eles as interpretarão como um sinal de respeito e boa vontade. Por outro lado, não fazer isso depois que o relacionamento estiver consolidado será interpretado como um sinal de arrogância. E uma curiosidade: na Hungria, o sobrenome vem antes do nome próprio: Bartok Bela, em vez de Bela Bartok. Se você traduzir seus cartões de visita para o húngaro (não é obrigatório, mas será uma boa ideia), lembre-se disso. Mostrará que você fez a sua lição de casa.
• Pontualidade/Compromissos. A pontualidade é rigorosamente observada. No entanto, geralmente é garantida uma tolerância de cinco minutos. Por favor, avise seu contato caso preveja algum atraso. A relação deles com o tempo é quase latina: como valorizam a conexão humana mais do que a tarefa em si, adaptam seu comportamento ao fluxo da interação, e não ao relógio ou à agenda. Essa atitude frequentemente leva a atrasos. Os húngaros dão grande importância às conexões sociais e profissionais. Um histórico sólido — seja profissional ou empresarial — confere credibilidade, mas uma apresentação pessoal inspira confiança. Portanto, é aconselhável buscar um representante bem apresentado e de boa reputação.
• Reuniões. Elas geralmente seguem este padrão: Apresentações e cumprimentos. Bebidas são servidas, especialmente café, tipicamente ao estilo turco. Segue-se uma conversa informal (não sem humor). Uma apresentação feita pelo presidente da reunião, que ocasionalmente pode ser um pouco longa e retórica. Uma vez estabelecido um clima de confiança mútua — o que pode exigir várias reuniões — os húngaros adotam um estilo quase mediterrâneo: conversas paralelas, discussões acaloradas, alto volume de voz, etc., e um bom grau de espontaneidade e participação. Isso, combinado com sua abordagem orientada para o relacionamento, muitas vezes leva ao desrespeito a horários e cronogramas.
• Negociações. O estilo deles é indireto: em vez de responder diretamente a perguntas específicas, eles vão dar voltas e voltas. Além disso, o discurso geralmente não é linear, mas sim em ziguezague: interrupções, anedotas, retornos a argumentos e pontos já negociados, mudanças de assunto, etc. Preste atenção ao que é dito, como é dito e o que fica subentendido. E cuidado com as promessas. Para os húngaros, manter o relacionamento pessoal é vital e dizer "não" a um interlocutor é considerado falta de educação; por isso, é provável que façam promessas que não podem cumprir para não te decepcionar. Prepare-se para responder a uma infinidade de perguntas, algumas delas hipotéticas (e se...?). Para eles, a definição perfeita de conceitos, características, etc., é de suma importância: os detalhes serão meticulosamente analisados. Além disso, são muito legalistas: vão revisar cuidadosamente os termos do acordo. Essas atitudes são atribuídas, por um lado, às lembranças persistentes das burocracias imperiais austro-húngaras e comunistas, e, por outro, à precisão e exatidão da língua húngara. Um conselho: certifique-se de que os documentos sejam traduzidos; isso lhe poupará muitos problemas. Paradoxalmente, eles têm aversão à burocracia. Os relacionamentos pessoais são essenciais: cultive-os ao máximo. Não seja excessivamente otimista. Em um país de pessimistas, os otimistas — délibáb hös: heróis da ilusão — são considerados desinformados e ingênuos. Além disso, não pressione demais para fechar o negócio. A impaciência é vista como condescendência: um tabu na Hungria. Por fim, a vida social é uma parte importante do relacionamento comercial. Portanto, aproveite a hospitalidade húngara. Aliás, eles esperam o mesmo de você.

(1) Hill, Richard: Nós EUROPEUS. Europublications, Divisão da Europublic, sa/nv. Bruxelas, 1995.

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