País Basco. No caminho para a recuperação econômica.

Impulsionada por uma forte demanda interna, a economia basca saiu de um período de desaceleração de três anos em 2003. O aumento da produção industrial e um setor exportador revitalizado — o País Basco liderou o crescimento das exportações no primeiro semestre de 2004 — parecem confirmar a recuperação econômica da região.
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O País Basco iniciou uma recuperação econômica em 2003, deixando para trás um período de três anos (2000-2002) marcado por desaceleração. O crescimento do PIB foi de 2,4%, sete décimos de ponto percentual acima do ano anterior, superando a média da União Europeia e em linha com o crescimento experimentado por economias que começaram a decolar, como os Estados Unidos, o Reino Unido e a Espanha. Esse crescimento superou o de algumas das maiores economias do continente, como a França e a Alemanha, mercados que, aliás, são os principais destinatários das exportações bascas.
O fator que possibilitou a reativação da economia basca foi o forte desempenho da demanda interna, aliado à contração da contribuição negativa da demanda externa em um décimo de ponto percentual em comparação com 2002. Indústria, serviços e construção foram os setores que mais contribuíram para essa recuperação. Este último permaneceu o setor mais ativo da economia basca, embora seu crescimento tenha desacelerado um pouco, com a taxa de crescimento anual caindo seis décimos de ponto percentual, de 4,7% para 4,1%. O setor de serviços manteve sua tendência de leve crescimento, proporcionando estabilidade à economia basca. A indústria melhorou significativamente sua contribuição em 2003, embora seja importante notar que, após um início de ano brilhante, sua taxa de crescimento diminuiu consideravelmente de um trimestre para o outro. Por fim, o pior resultado veio do setor primário, que aumentou o resultado negativo que vinha apresentando dos anos anteriores, deixando a taxa de crescimento anual em -16,4%.
Outro indicador da recuperação econômica basca é o Índice de Produção Industrial (IPI), cujo desempenho, assim como o do Reino Unido, foi mais favorável e consistente do que o da Espanha e de outros países europeus. Esse impulso industrial ocorreu no caso dos bens de consumo e bens intermediários, enquanto os bens de capital, um dos pilares da indústria basca, sofreram uma forte desaceleração no segundo semestre do ano.
Em 2004, a economia do País Basco continuou sua recuperação. Os dados do primeiro semestre do ano mostraram um crescimento do PIB de 2,8% em relação ao ano anterior, dois décimos de ponto percentual acima da média espanhola e oito décimos acima da média da zona do euro. A demanda interna continuou impulsionando o crescimento econômico basco e, do lado da oferta, a construção civil permaneceu o setor mais dinâmico, enquanto o setor de serviços continuou apresentando bom desempenho.
Comércio exterior
O setor externo tem sido tradicionalmente um dos pilares da economia basca e em torno do qual gira a orientação de muitas das suas empresas, uma vez que grande parte da produção industrial se destina aos mercados estrangeiros, enquanto a importação de energia para consumo ou para distribuição em território espanhol também é uma constante ao longo dos anos.
O País Basco encerrou 2003 com um superávit comercial superior a € 1.300 bilhão. As exportações, segundo dados do Instituto Basco de Estatística (Eustat), totalizaram € 11.752,81 bilhões, 1,8% a mais que em 2002. As importações, por sua vez, superaram o valor do ano anterior em 3,8%, atingindo € 10.452,6 bilhões. Por província, Álava apresentou o pior desempenho nas exportações, com uma queda de meio ponto percentual em comparação com 2002, enquanto Biscaia e Gipuzkoa aumentaram suas vendas em 2,8% e 2,6%, respectivamente. As importações seguiram o mesmo padrão: diminuíram em Álava (-5,4%) e aumentaram em Biscaia (6,7%) e Gipuzkoa (4,9%).
Em termos de destinos, a França e a Alemanha são os mercados de exportação naturais do País Basco, representando juntas cerca de 35% das suas exportações. Fora da União Europeia, os Estados Unidos, o México e o Brasil são os seus três principais parceiros comerciais.
Comparado com as outras Comunidades Autônomas, o País Basco apresenta um desempenho bastante positivo. Embora não alcance os volumes comerciais da Catalunha, de Madri ou da Comunidade Valenciana, mantém um nível de abertura acima da média, como demonstra sua quarta posição entre os exportadores regionais. Essa posição se consolidou em 2004, visto que, no primeiro semestre do ano, o País Basco liderou o crescimento das exportações com um aumento de 17,2%.
Radiografia empresarial
A estrutura produtiva do País Basco difere marcadamente da da Espanha devido ao seu forte caráter industrial, que representa 27,4% do Valor Adicionado Bruto (VAB) da região. Essa especialização industrial foi reforçada entre 1995 e 2002, período em que o setor sofreu um declínio na Espanha como um todo. O menor grau de integração do setor de serviços e a menor contribuição do setor agrícola para o VAB, apesar de três quartos da população viverem em áreas rurais, são outras características distintivas da economia basca em comparação com a economia espanhola.
O setor empresarial basco distingue-se pela sua capacidade de identificar e adaptar-se aos desafios competitivos apresentados por cada período histórico. Atualmente, o País Basco conta com 73,4 empresas por cada mil habitantes, uma densidade significativamente superior à média espanhola (65,9).
Segundo dados da Confederação Empresarial Basca (Confebask), em 2003 estavam registadas 171.988 empresas no País Basco. Destas, 74,5% tinham dois ou menos funcionários, enquanto a percentagem de empresas com 250 ou mais funcionários era de 0,13% (236 estabelecimentos). O número médio de funcionários era de 4,7, um valor que sobe para 14,7 no setor industrial. Contudo, o País Basco destaca-se pela maior dimensão das suas empresas em comparação com o resto de Espanha, uma vez que a proporção de empresas com menos de 50 funcionários era de 98,9%, contra uma média espanhola de 99,1%. A percentagem de empresas com mais de 50 funcionários era ligeiramente superior: 1% contra 0,9%.
O número de empresas aumentou em quase 1% em 2003, sendo o crescimento maior na construção civil (3,3%) do que na indústria (0,9%) e nos serviços (0,7%). Por província, Álava e Guipúzcoa têm maior peso relativo no setor industrial, enquanto Biscaia se destaca na localização de empresas de serviços.
Por setor, 77,7% das empresas bascas atuam no setor de serviços, 13,4% na construção civil e 8,8% na indústria. Analisando mais detalhadamente sua especialização, o maior número de empresas encontra-se no subsetor de varejo (17%), seguido pela construção civil (13,4%), hotelaria (9,4%) e transporte terrestre (7,9%).
organizações promocionais
comércio exterior
A promoção e o desenvolvimento do comércio exterior no País Basco são da responsabilidade das seguintes organizações:
– Sociedade para a Promoção e Reestruturação Industrial (SPRI): Esta é a agência de desenvolvimento empresarial criada em 1981 pelo Governo Basco para apoiar e servir o setor industrial. Entre as suas áreas de atuação está a promoção da internacionalização das empresas bascas. As atividades desenvolvidas pelo Departamento de Internacionalização da SPRI em 2003 podem ser resumidas da seguinte forma:
• 108 projetos para a busca de canais de marketing, prospecção de mercado e implementação comercial e produtiva de empresas bascas no exterior.
• 161 visitas ao exterior a empresas bascas com estabelecimento comercial e/ou de produção.
• 205 visitas a empresas estrangeiras no exterior.
• 23 visitas dos Agentes da Rede Externa à Comunidade, durante as quais visitaram 194 empresas bascas, a pedido destas.
• 14 aparições em meios de comunicação, tanto locais quanto estrangeiros.
• 126 pedidos de informação sobre o apoio existente para aumentar a presença internacional das empresas bascas.
• 60 participações em feiras na Comunidade e no estrangeiro.
• 255 visitas institucionais ao exterior.
• 48 visitas institucionais estrangeiras ao SPRI.
O trabalho de promoção da internacionalização foi apoiado pelos seguintes programas: Programa Atzerri, Programa de Implementações Externas Gauzatu e Programa Pure.
– Câmaras de Comércio: em cada uma das três províncias bascas existe uma Câmara de Comércio com os seus serviços tradicionais de comércio exterior, incluídos no Plano da Câmara para a Promoção das Exportações, que abrange programas de promoção e informação sobre comércio exterior e ferramentas de apoio aos exportadores.
Organismos
negócio: o Confebask
A Confederação Empresarial Basca (Confebask) representa e defende os interesses das empresas bascas. Fundada em março de 1983, tornou-se o único órgão representativo entre as empresas bascas e o governo, os sindicatos e outras organizações profissionais. O principal objetivo da Confebask é promover a iniciativa privada e a livre empresa, impulsionar a competitividade das empresas bascas e fomentar o desenvolvimento socioeconômico do País Basco. Atualmente, a Confederação reúne mais de 13.000 empresas e é membro pleno da Confederação Espanhola de Organizações Patronais (CEOE).

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