Mercados financeiros marcados por um ambiente de incerteza geopolítica

 

Os movimentos no alcance reflectem um novo equilíbrio no mercado, embora a atenção esteja cada vez mais focada nas tensões internacionais, especialmente após a recente aprovação pela Rússia de uma nova doutrina nuclear. Esta medida permite a utilização de armas nucleares contra ataques convencionais dentro do seu território, o que tem suscitado preocupações entre os investidores sobre as possíveis repercussões para o estabilidade regional e global.

 

Os mercados energéticos mostraram um impacto imediato limitado, com o petróleo a permanecer estável (+0%), enquanto as obrigações soberanas registaram ligeiras variações (swap euro 10 anos +0,2 pb; US10 anos -1,8 pb). Contudo, houve um aumento no interesse em moedas de porto seguro, resultando num enfraquecimento do dólar americano e do euro. Este contexto levou a uma maior volatilidade nos mercados financeiros, sugerindo que existe um ambiente incerto onde os preços podem sofrer flutuações significativas, embora não pareça haver grandes movimentos no fecho.

 

Relativamente às perspetivas macroeconómicas europeias, confirmou-se o aumento do EuroIPC correspondente a outubro 2%, superando o valor anterior de 1,7%. Este aumento foi impulsionado principalmente por uma menor descida dos preços dos produtos energéticos. A inflação subjacente manteve-se inalterada em 2,7%, ainda sob pressão devido à notável inflação dos serviços que atingiu 4%. Neste sentido, o Eurostat também publicou dados preliminares sobre os salários da zona euro durante o terceiro trimestre de 2024. Embora se observe um abrandamento moderado do seu crescimento (4,8% face aos 5,1% anteriores), estes números ainda são elevados e podem influenciar significativamente o futuro. decisões monetárias.

 

Por outro lado, os Estados Unidos apresentaram valores negativos relacionados com o seu setor imobiliário como consequência direta das elevadas taxas de juro hipotecárias associadas à dívida pública a 30 anos. Verificou-se uma queda considerável tanto nas licenças de construção (-8% ano-a-ano) e nas casas iniciadas (-4% ano-a-ano) como nas ainda em construção (-13% ano-a-ano). No entanto, apenas se registou um aumento notável nas habitações acabadas (+17% em termos homólogos), o que reflecte uma clara sequência de perda de actividade no sector residencial.

 

No mercado de dívida também foi evidente uma certa mudança para activos considerados portos seguros. Na zona euro, as curvas swap praticamente não se alteraram (2 anos +0,4 pb; 10 anos +0,2 pb), contrastando com a queda registada nas taxas de juro soberanas (obrigações alemãs a 2 anos -3,7 pb; a 10 anos -3,5 pb). Estes movimentos são fortemente influenciados pelas actuais tensões decorrentes do conflito ucraniano e pela especulação política relacionada com uma possível reeleição formal do Donald Trump ao poder. É relevante referir as recentes declarações do Governador do Banco de Itália que defende que o BCE adopte medidas destinadas a manter as taxas de juro em níveis neutros com vista a promover o crescimento económico sustentado.

 

A estabilidade também foi observada nos Estados Unidos, com o índice dos EUA a dois anos a fechar estável, enquanto o seu homólogo a dez anos diminuiu a sua TIR (-2 pb) como resposta direta a estas tensões geopolíticas persistentes.

 

No que diz respeito ao mercado cambial, o dólar sofreu efeitos negativos devido a factores técnicos e fundamentais: durante este mês conseguiu revalorizar-se até 1.7%, mas enfrenta pressões adicionais devido ao crescente interesse em activos de refúgio entre investidores cautelosos com os riscos globais iminentes. Neste contexto específico destaca-se a forma como o euro foi particularmente penalizado; embora tenha caído apenas ligeiramente (-0.02%) face ao dólar, situando-se em torno 1.060€/$, sofreu desvalorizações face a outras moedas pertencentes ao G-10. As moedas mais ligadas às matérias-primas mostraram força, especialmente o dólar canadense, após a divulgação de dados de inflação superiores às expectativas iniciais. Por outro lado, as moedas emergentes apresentaram evoluções mistas; enquanto algumas moedas da Europa de Leste, como o zloty polaco, caíram (-0%), outras, como o peso mexicano, conseguiram ganhar terreno (+5%).

 

Os mercados internacionais de commodities permaneceram relativamente calmos. O petróleo fechou praticamente estável, após ter registrado aumentos de até [inserir valor aqui] anos. 3% . Um relatório recente emitido pela Agência Internacional de Energia moderou as expectativas optimistas, indicando que o Irão tinha reduzido a produção associada ao urânio enriquecido – um elemento-chave no fabrico de armas – contribuindo assim para o arrefecimento do mercado energético globalmente considerado sensível a estas questões geopolíticas sensíveis. Os preços do gás também registaram descidas, atingindo níveis em torno dos €45/Mwh. É também relatado um aumento notável nas importações relacionadas com GNL, com consistência no que diz respeito ao fornecimento russo à Hungria, apesar das interrupções registadas em relação à Áustria recentemente mencionadas acima.

 

Por último, vale a pena realçar que hoje todos os olhares estarão voltados para dois indicadores económicos cruciais: o IPC britânico e o índice industrial alemão, cuja publicação poderá fornecer pistas adicionais sobre as tendências inflacionistas que afectam as decisões estratégicas na esfera financeira global.

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