Manuel Chaves, Presidente do Governo Regional da Andaluzia, discute a importância que a região atribuirá aos serviços de transferência de conhecimento e tecnologia. O firme compromisso da Andaluzia com a internacionalização.

O grau de abertura econômica da Andaluzia tem apresentado resultados muito positivos nos últimos anos. Suas perspectivas de crescimento e novos desafios empresariais, voltados para os mercados internacionais, foram delineados no novo Plano Estratégico 2003-2006, apresentado em julho passado pelo Governo Regional da Andaluzia. Seu presidente, Manuel Chaves, está confiante de que as novas medidas e objetivos estabelecidos irão aprimorar a oferta de exportações da Andaluzia nos próximos anos.

Considerando a tendência de crescimento das exportações andaluzas nos últimos anos, que avaliação se pode fazer dos resultados obtidos em 2002? E quais são as previsões para o final do atual exercício fiscal?


De fato, a economia andaluza passou por uma transformação significativa. Nos últimos dez anos, o PIB cresceu mais de 40%, as exportações triplicaram e o grau de abertura aumentou cinco pontos percentuais. O Governo Regional da Andaluzia assumiu um firme compromisso com a abertura das nossas empresas aos mercados estrangeiros e, com esse objetivo, foi elaborado o Plano de Internacionalização das Empresas Andaluzas 1999-2002. Durante os quatro anos de sua implementação, o volume de exportações aumentou, assim como o número de empresas andaluzas que atuam ativamente nos mercados internacionais. Nossa presença internacional também se diversificou, tanto em termos de setores quanto de destinos de exportação.

É importante destacar que a Andaluzia resistiu com notável resiliência ao difícil ambiente comercial global dos últimos dois anos. No ano passado, mesmo em meio a um cenário internacional adverso, as exportações andaluzas atingiram um valor superior a 10.000 mil milhões de euros, um montante semelhante ao dos anos anteriores, confirmando assim a força e a resiliência da economia andaluza.

Quanto às perspectivas para o ano corrente, estou confiante de que as exportações andaluzas continuarão a demonstrar a mesma força, apesar da persistente incerteza econômica no cenário internacional. E, naturalmente, continuaremos a apoiar os esforços das nossas empresas para expandir os seus mercados através de um novo plano estratégico que acaba de ser aprovado para o período 2003-2006, com uma dotação orçamentária quase 70% superior à do plano anterior.

– Em relação aos destinos das exportações andaluzas, quais países se destacam atualmente? Como você avaliaria a presença da região nos países candidatos à expansão europeia?

As exportações andaluzas concentram-se no mercado europeu, principalmente na União Europeia. Essa tendência é particularmente acentuada neste período de desaceleração econômica, devido à menor incerteza em relação aos mercados vizinhos. No ano passado, as vendas para a União Europeia representaram mais de 70% do total das exportações. No entanto, o mercado americano continua sendo um destino importante para os produtos andaluzes, com uma penetração relativa maior nos Estados Unidos e no México do que na Espanha como um todo.

A médio e longo prazo, acredito que existem perspectivas promissoras em países latino-americanos como o Chile e o Brasil. O mesmo se pode dizer dos países em transição para a União Europeia, que importam cada vez mais produtos da Andaluzia. O governo que lidero, ciente do potencial que esses mercados oferecem, já inaugurou Unidades de Promoção de Negócios na República Tcheca, Hungria, Polônia e Rússia. Esses escritórios, que fazem parte de uma rede internacional presente em doze países, oferecem às empresas andaluzas um atendimento personalizado e direto.

– De que forma o Governo Regional da Andaluzia promove a internacionalização da economia andaluza? A que apoio público tem acesso as empresas andaluzas?

As Unidades de Promoção Empresarial são precisamente um desses mecanismos de apoio, assim como os planos de internacionalização que mencionei anteriormente. A estratégia de apoio consiste essencialmente em fornecer às empresas os recursos e a infraestrutura necessários para serem mais competitivas numa economia globalizada. Para implementar esta estratégia, o Governo Regional conta também com a Agência Andaluza de Promoção Estrangeira, conhecida como Extenda.

Nossa rede internacional realiza um trabalho vital e diversificado, que vai desde o apoio tradicional à participação em feiras e missões comerciais até programas concebidos para avaliar a capacidade exportadora de empresas com pouca experiência em mercados internacionais. Tudo isso é feito abordando também aspectos fundamentais como a formação de gestores e o apoio aos planos de promoção das associações de exportadores andaluzes, e mantemos acordos de colaboração com associações empresariais setoriais.

– O que você pode me dizer sobre as principais diretrizes abordadas no Plano de Internacionalização para o período de 2003 a 2006?

Os objetivos estratégicos do Plano podem ser resumidos em três ideias básicas: aumentar o número de empresas exportadoras, melhorar a posição internacional das empresas que já exportam e aumentar os investimentos das nossas empresas no exterior. Assim, o documento estabelece medidas para melhorar a oferta, aprofundar o conhecimento da procura nos mercados externos e fortalecer a coordenação das medidas de apoio promovidas por diversas instituições públicas e privadas.

Uma das principais novidades para os próximos quatro anos é a atenção que será dada ao setor de serviços, em particular aos serviços focados na transferência de conhecimento e tecnologia. A Andaluzia oferece um grande potencial nessa área, representado por empresas de consultoria, empresas de engenharia e centros de pesquisa que, graças à sua experiência e conhecimento especializado, podem contribuir para o desenvolvimento econômico e social de países emergentes, como os futuros membros da União Europeia, os países da América Latina e os da costa sul do Mediterrâneo, sem esquecer as grandes oportunidades oferecidas pelos mercados chinês e russo.


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