Segurança energética: uma questão multifacetada

Abordar a sustentabilidade energética sob uma perspectiva empresarial só faz sentido se três fatores convergirem: vontade política, através de um quadro regulamentar adequado; investimento privado em tecnologia para a diversificação; e ação do consumidor, do qual depende em grande parte a mudança de hábitos que reduzirá a procura e as emissões poluentes. Esta foi a conclusão a que chegou a 1.ª Conferência Empresarial UE-EUA sobre Energia e Tecnologia, realizada em Madrid nos dias 25 e 26, organizada pela Câmara Americana de Comércio em Espanha.
Sob o título "Uma luta pelo poder: a geopolítica da segurança energética", oradores de alto nível, moderados pela presidente da Comissão Nacional de Energia, Maite Costa, analisaram, sob diferentes pontos de vista, a situação real da energia mundial e a forma de enfrentar um problema inegável: a procura de energia aumentou significativamente nos últimos anos a um ritmo incompatível com a segurança do abastecimento, e a sua produção e consumo são incompatíveis com o ambiente.
Fernando Becker, chefe do Departamento de Recursos Corporativos da Iberdrola e professor de Economia na Universidade Rey Juan Carlos de Madrid, reconheceu que a segurança energética enfrenta uma complexidade crescente, mas, de uma perspectiva mais otimista, é necessário "conciliar elementos que não necessariamente entram em conflito". Por um lado, "o fornecimento deve ser garantido" e, por outro, "o impacto ambiental deve ser minimizado", explicou o professor. A mudança tecnológica desempenha um papel significativo em tudo isso. "A produção de energia renovável vai aumentar. À primeira vista, essas energias parecem mais caras, mas isso não deve ser visto como uma desvantagem; elas representam uma oportunidade de investimento", acrescentou Becker.
Enxergando uma oportunidade de negócio na solução.
Jaleh Daie, sócia-gerente da Aurora Equity, diretora de Ciência e Engenharia da Fundação Lucile Packard e professora da Universidade de Wisconsin até 1999, enfatizou precisamente essa visão de soluções como oportunidades de negócios. "O futuro reside na criação de empresas no setor de energia", afirmou. No entanto, reiterou que isso não é responsabilidade exclusiva do setor privado. "A engenhosidade pode ser usada para criar combustível para o mundo de forma sustentável (...), mas somente com a soma da vontade política, visões nacionais e compatibilidade com a sustentabilidade haverá um futuro", explicou Daie.
Marcel de Haas, tenente-coronel do Exército Real dos Países Baixos e pesquisador sênior em doutrina militar, estratégia e política de segurança no Instituto de Relações Internacionais Clingendael, abordou a questão sob outra perspectiva: a energia como instrumento de poder devido ao aumento da demanda. Ele focou sua apresentação no caso da região do Cáucaso, que envolve a UE, a Rússia, os países da região, os EUA e a OTAN. 
Paul Isbell, pesquisador do Departamento de Economia e Comércio Internacional do Instituto Real Elcano, encerrou o painel sobre geopolítica. Ele aproveitou a oportunidade para reiterar as posições que havia defendido ao longo das apresentações, focando-se, em última análise, na existência do nacionalismo energético, com "implicações geopolíticas tanto de perspectivas externas quanto internas". Segundo Isbell, os verdadeiros problemas residem nesta última, porque "retirar os processos de liberalização do mercado e redirecioná-los para o Estado como uma potencial fonte de receita é perigoso".

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