Responsabilidade social corporativa e relatórios

O termo "responsabilidade social" surgiu no final da década de 1950 e se desenvolveu ainda mais na década de 1960 nos Estados Unidos, onde se reconheceu que as empresas, além de fabricar e vender seus produtos, devem ser responsabilizadas pelos riscos a que seus funcionários estão expostos. De lá para cá, o próprio conceito de empresa e seus objetivos evoluíram para se tornarem "mais sociais". A responsabilidade social é defendida por aqueles que acreditam que o objetivo final de uma empresa, além de gerar lucro suficiente para remunerar os acionistas e garantir sua sobrevivência a longo prazo, é prestar um serviço à sociedade.
Podemos afirmar que a responsabilidade social corporativa se refere à postura de uma empresa em relação às demandas sociais decorrentes de suas atividades, à avaliação e compensação dos custos sociais que gera e à expansão de seus objetivos, definindo o papel social que desempenhará. Implica um compromisso permanente da empresa com a conduta ética e com a contribuição não apenas para o desenvolvimento econômico, mas também para a melhoria da qualidade de vida de seus funcionários e familiares, da comunidade local e da sociedade em geral. Em outras palavras, a responsabilidade social é um conceito que integra as perspectivas social e ambiental à empresa (Comissão Europeia, 2002).
Três ideias devem ser destacadas a partir do conceito de responsabilidade social:
1) Parte de um compromisso voluntário da empresa.
2) Tem como ponto de referência fazer as coisas corretamente, não apenas de uma perspectiva legal, mas também de uma perspectiva ética.
3) Sua essência se baseia em três pilares: a existência de um benefício econômico, o impacto ambiental e o impacto social das atividades empresariais.
Na última década, muitas empresas implementaram políticas sociais que beneficiam não apenas seus funcionários, mas a sociedade como um todo. As empresas superaram a era em que seu sucesso era medido unicamente pela geração de lucros e pela satisfação dos interesses dos acionistas. Na sociedade atual, elas começam a reconhecer sua responsabilidade para com uma ampla gama de partes interessadas e, embora não neguem a importância da geração de lucro para os acionistas, outros fatores, como direitos humanos, condições de trabalho, ética empresarial e meio ambiente, estão ganhando cada vez mais importância (Maside, 2002).
Essas iniciativas internacionais incluem a Global Reporting Initiative (GRI), o Livro Verde da União Europeia e a norma AA 1000.
A Global Reporting Initiative é um acordo internacional, lançado em 1997, com uma visão de longo prazo, cuja missão é a elaboração e disseminação de um "Guia para a Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade", que visa facilitar a organização e estruturação dessas informações pelas empresas de forma que (GRI, 2000):
– apresentar uma visão clara do impacto humano e ecológico da empresa;
– fornecer uma ferramenta de gestão que ajude a empresa a melhorar seu desempenho e progresso;
– esta informação é apresentada num formato único e simples que permite comparabilidade, abrangência e credibilidade;
– destacar a relação entre os três elementos que compõem a sustentabilidade: o econômico, o ambiental e o social.
A União Europeia, por sua vez, com o seu Livro Verde (COM, 2001), procura promover um quadro europeu que fomente a responsabilidade social das empresas.
A AA1000 é uma norma voluntária, desenvolvida em 1999 pelo Instituto de Responsabilidade Social e Ética do Reino Unido, que visa melhorar os níveis de qualidade da contabilidade e auditoria social e ética, por meio de um processo de aprendizagem e compromisso com todos os grupos envolvidos e afetados pelas ações da empresa (partes interessadas).

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