A Polônia, dentro do grupo de países da Europa Central e Oriental (PECO), é uma forte candidata à adesão à União Europeia. As palavras de Aleksander Kwasniewski, presidente da Polônia, demonstram que ele não deseja adiar a entrada na UE. "Cada ano de atraso significa um ano perdido, não apenas para nós, mas também para a própria UE."
Os ataques terroristas que atingiram os Estados Unidos em 11 de setembro causaram um choque global e abalaram os alicerces da economia, levando a uma recessão significativa. A União Europeia, atualmente em meio a negociações para seu futuro alargamento, pode ser afetada e, consequentemente, os países prestes a aderir podem sofrer as consequências.
De fato, como consequência da desaceleração do desenvolvimento econômico no continente e dos ataques terroristas de 11 de setembro, surgiram diversas opiniões, segundo as quais muitas das prioridades atuais (incluindo a expansão da União Europeia e da OTAN) deveriam ser adiadas.
Os defensores dessa visão argumentam que, em tempos de desaceleração econômica e de crescente ameaça terrorista internacional, devemos nos concentrar principalmente no combate a esses fenômenos e não desperdiçar energia com a expansão de organizações internacionais. Para refutar essas opiniões, devemos recorrer à história, que nos lembra que a inação diante do perigo é sempre prejudicial e que pagaremos um preço incalculável por isso no futuro. Ao longo de sua história, tanto a Polônia quanto a Espanha aprenderam essa lição dolorosamente. Portanto, gostaria de enfatizar que os desafios que enfrentamos justificam ainda mais a expansão tanto da União Europeia quanto da OTAN. Devemos também lembrar que as expansões da UE e da OTAN não são fins em si mesmas, mas sim devem servir à estabilidade política e econômica de uma região vital da Europa.
Devemos reconhecer que a criação de uma nova ordem internacional capaz de enfrentar o terrorismo e o crime organizado não será possível sem a eliminação das barreiras políticas, económicas e sociais no nosso continente. Esta questão foi unanimemente enfatizada na Conferência Regional de Presidentes e Chefes de Governo, realizada a 6 de novembro no Palácio Presidencial em Varsóvia, dedicada ao combate ao terrorismo. Ouvimos os mesmos sentimentos da Comissão Europeia e dos Estados-Membros. Para mim, isto confirma a compreensão da dimensão histórica do alargamento da União Europeia, um testemunho do amplo consenso que não pode ser abalado pelos acontecimentos recentes, mesmo que tenham sido tão trágicos como os ataques ao World Trade Center.
– Dado que o final de 2003 é o prazo limite para a conclusão das negociações de adesão da Polônia à UE, seria oportuno analisar o progresso alcançado até o momento e verificar se a situação atual corresponde às expectativas que existiam para atingir esse objetivo.
Consideramos o final de 2002 o prazo limite para a conclusão das negociações de adesão da Polônia, de modo que possamos participar, como Estado-membro, das eleições para o Parlamento Europeu em 2004. Acredito que alcançar este ambicioso projeto e a inclusão da Polônia no primeiro grupo de novos membros está totalmente ao nosso alcance. Este objetivo claro será a prioridade do atual governo, que está determinado a acelerar as medidas que facilitarão a adesão do nosso país à UE. Acreditamos que cada ano de atraso é um ano perdido, não só para nós, mas também para a própria União. Significa oportunidades perdidas para acelerar e enriquecer a dinâmica do desenvolvimento econômico e social do nosso continente. Fizemos um enorme esforço legislativo, aprovando mais de 150 decretos em 2000-2001 que adaptam as leis polonesas ao acervo comunitário. Agora é necessário implementar essas soluções legislativas aprovadas e preparar nossos cidadãos, empresas e funcionários públicos da forma mais completa possível, para que possam trabalhar no âmbito da União e aproveitar as novas oportunidades. É importante que saibamos como cumprir os compromissos negociados e alcançar os objetivos planejados, procurando progredir em cada etapa das nossas negociações com a UE.
A avaliação da Comissão Europeia, incluída no seu último Relatório Cíclico de 13 de novembro do ano passado, confirma o progresso e o avanço dos preparativos da Polónia. Neste contexto, a cimeira da União Europeia em Laeken, em dezembro, representou mais um passo em frente no processo de alargamento da União, que antecipará a conclusão das negociações para 2002 e a adesão de novos membros para 2004.
A atual presidência espanhola da UE poderá revelar-se uma vantagem significativa nas negociações de adesão, dada a afinidade existente entre os dois países e as boas relações que mantêm. Seria interessante saber em que medida esperam alcançar um resultado favorável.
Em 2001, o processo de alargamento entrou numa fase crucial, durante a qual iniciámos negociações sobre as questões mais críticas e difíceis, como a livre circulação de pessoas e de capitais. Conforme planeado, as conversações sobre outros temas importantes decorrerão no primeiro semestre de 2002. Os acordos finais em áreas como a agricultura, a política regional, os orçamentos e as finanças terão uma influência decisiva nos termos da participação da Polónia na União Europeia.
Naturalmente, essas negociações exigirão considerável esforço e boa vontade para encontrar soluções razoáveis e positivas para ambas as partes. Nesse processo, o papel da Espanha, como país que detém a Presidência, poderá ser muito importante.
Estou convencido de que as negociações se acelerarão no primeiro semestre de 2002 e que a maioria das questões poderá ser resolvida antes do fim da presidência. Levando em consideração as datas das eleições na Alemanha e na França, o maior progresso possível nas negociações durante a presidência espanhola será fundamental para a sua conclusão em dezembro de 2002.
É significativo que a próxima presidência espanhola já tenha declarado que o alargamento será uma das prioridades da atividade comunitária no primeiro semestre de 2002.
Isto sugere que, neste momento crucial, tanto a União Europeia como a Polónia demonstrarão a necessária determinação, resolução e solidariedade que este processo histórico de alargamento exige. Estou convencido de que, nesta fase final das negociações, o diálogo aberto e ativo e a troca de informações entre as partes permitir-nos-ão encontrar uma solução racional que satisfaça a todos. Não é fácil, mas a experiência dos alargamentos anteriores da UE, e também da Espanha, ensina-nos que dezenas, mesmo centenas, de horas de negociações difíceis conduzem à resolução das questões mais complexas e controversas.
Acredito sinceramente que, ao resolver os problemas mais drásticos e ao abrir caminho para a conclusão das negociações, a presidência espanhola desempenhará um papel significativo na história da integração europeia.

