Uma das perguntas mais importantes que os gestores se fazem ao formular estratégias e tomar decisões para a empresa é: O que é relevante nos negócios? O lucro é a resposta imediata, mas surgem dúvidas ao tentar entender o que é lucro e como ele é obtido.
Por um lado, há aqueles que encaram o lucro como um valor econômico que deve ser maximizado. Eles não dão importância a como esse lucro é obtido ou como é gerenciado.
Por outro lado, existem empresários que se preocupam não apenas em maximizar o lucro, mas também com a forma como o alcançam. Para eles, a ética desempenha um papel crucial; estão dispostos a sacrificar resultados se isso significar agir de forma antiética ou com falta de consciência social.
Questões morais têm sido uma constante em todas as civilizações, e a ética, como parte da filosofia, evoluiu ao longo dos tempos, modificando a moralidade.
Platão (428-347 a.C.) preocupava-se com a moralidade, formulando dilemas morais e explorando possíveis soluções por meio do diálogo. O objetivo da ética platônica é alcançar a sabedoria, libertar a alma do corpo.
"Guerras, revoluções e lutas são causadas apenas pelo corpo e seus desejos... por causa delas não podemos contemplar a verdade..."
A ética, juntamente com a justiça, continua sendo relevante para São Tomás de Aquino, que considera que:
"A ética é uma ciência prática, porque não se limita à contemplação da verdade, mas aplica esse conhecimento às ações humanas."
A ética é uma ciência prática de natureza filosófica; ela explica e fundamenta cientificamente princípios universais de comportamento. Uma empresa, como organização formada por indivíduos, é e se comporta eticamente se cada um de seus membros baseia suas ações em princípios éticos universais.
Nos últimos anos, a preocupação com questões éticas se disseminou de forma sem precedentes nas práticas empresariais. Três fatores contribuíram decisivamente para esse ressurgimento da ética:
Os processos de tomada de decisão dentro das empresas passaram por mudanças. Observamos que organizações com normas rígidas e inflexíveis nas relações trabalhistas deram lugar a uma organização mais dinâmica e flexível, que exige a delegação de responsabilidades em todos os níveis. Por sua vez, o comprometimento dos funcionários com a empresa facilita sua identificação com a cultura corporativa e ajuda toda a organização a compreender e compartilhar a missão e a visão da empresa.
Esses fatores, juntamente com o aumento da pressão social exercida sobre a empresa, foram essenciais para pôr fim às práticas comerciais caracterizadas por um desejo excessivo de lucro e pela regra do "vale tudo" nos negócios.
Outros fatores muito importantes, como a especulação financeira, a segurança, a qualidade do produto e a veracidade da publicidade, enraizaram-se na consciência da sociedade, que, habituada à falta de legislação para satisfazer tais exigências, requer que as empresas atuem de acordo com os princípios e valores éticos vigentes.
Neste momento, podemos definir ética empresarial como um conjunto de valores, normas e princípios refletidos na cultura da empresa, visando alcançar maior harmonia com a sociedade e permitir melhor adaptação a diferentes ambientes, em condições que envolvam o respeito aos direitos reconhecidos pela sociedade e aos valores que ela compartilha. A obtenção de lucro econômico não deve ser um obstáculo, mas sim uma força motriz para a inovação ou competitividade das empresas.
Portanto, a ética ajuda a empresa a fortalecer sua credibilidade social, o que é alcançado ao satisfazer os direitos de todas as partes interessadas, como acionistas, proprietários, trabalhadores, clientes, fornecedores, etc., uma vez que a empresa e a sociedade caminham juntas.
Em conclusão, podemos afirmar que o comportamento ético não é inerente ao cargo ou ao cartão de visita de alguém; é um estilo de vida, uma forma de se relacionar com as coisas e as pessoas. Trata-se de agir de tal maneira que cargos, funções e instituições sejam permeados por ações éticas e honestas, e que estas se tornem a norma, não a exceção. Mais importante ainda, significa que não se encontram justificativas, pretextos ou argumentos para explicar ações claramente antiéticas e desonestas, mas que são usadas para encobrir interesses e ambições mesquinhas e pessoais.


