Bancos espanhóis acompanham de perto a América Latina.

As contas do Santander e do BBVA continuam fortemente impactadas negativamente por seus negócios na América Latina. A retomada dos lucros dos dois maiores bancos da Espanha dependerá da recuperação definitiva da região.

Há três anos, os bancos espanhóis estrearam na América Latina. A afinidade linguística e cultural levou o Santander e o BBVA a preferirem investir em instituições financeiras no Novo Mundo em vez de em áreas geográficas mais maduras, como a Ásia, ou em regiões com menos vantagens competitivas, como a emergente Europa Central. O BBVA concentrou-se na Argentina e no México, enquanto o Santander investiu no Brasil.

A crise financeira de 2000 e o estouro da bolha do mercado de ações levaram a uma deterioração dos resultados financeiros e a uma proliferação de provisões que reduziram os lucros das empresas espanholas. Atualmente, apesar de uma retirada parcial da sua presença na região, os principais bancos espanhóis continuam fortemente dependentes do desempenho da economia latino-americana.

O México e seus negócios domésticos continuam sendo as principais variáveis ​​a serem observadas pelo BBVA no médio prazo. O banco confirmou sua meta de lucro para 2003, 25% superior à do ano passado, e o mercado percebe uma melhora trimestre após trimestre.

No entanto, os resultados da divisão BBVA America não são tão otimistas: -3,3% de lucro atribuível, -16% de margem de juros líquida e -5,2% de margem operacional. Os fatores por trás desse desempenho ruim foram a depreciação cambial (principalmente do peso mexicano) e a forte queda nas taxas de juros de curto prazo, o que reduz as margens dos clientes.

Em relação ao Banco Santander, as expectativas são melhores, já que a instituição se beneficia das perspectivas de recuperação da economia brasileira. "O sucesso das recentes campanhas de vendas na Espanha, aliado à contenção de custos e à melhora da situação no Brasil, pode levar a um desempenho superior ao índice de referência da região no médio prazo, embora ainda dependa do desempenho do próprio índice", afirma Natalia Aguirre, chefe de análise da Renta 4.

Nos primeiros nove meses do ano, o Banco Santander obteve um lucro de € 1.038 bilhão na América Latina, praticamente o mesmo valor do ano anterior, tendo ultrapassado o ponto de inflexão e melhorando sua contribuição trimestre a trimestre. "O aspecto mais notável da região é o aumento do volume de negócios e das tarifas, bem como a contribuição de itens relacionados ao mercado, combinados com reduções de custos", acrescentou Aguirre.

O Brasil contribui com mais da metade do lucro da entidade presidida por Botín na região, chegando a 536 milhões de euros, com crescimento de 18,6% em moeda local e 42,5% em dólares.

As reformas de Lula tornaram-se evidentes e já se observam aumentos significativos na atividade, com o investimento em crédito a crescer 17%, apesar do fraco crescimento do sistema, acompanhado de elevadas margens de lucro para os clientes - devido às altas taxas de juro - e sem ser prejudicado, pelo menos por agora, pelas reduções que ocorreram na taxa de referência de curto prazo (Selic).

Além disso, os índices de inadimplência no país estão melhorando e a cobertura está aumentando. Fontes do banco expressaram otimismo em relação aos próximos trimestres, tanto devido ao melhor desempenho macroeconômico do país quanto às práticas de gestão do banco.

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