– O termo "logística" não é claro para muitos leitores. Poderia descrevê-lo, incluindo suas atividades e serviços?
Originalmente, a palavra "logística" referia-se à esfera militar, especificamente ao abastecimento de tropas em campo, em particular ao fornecimento ininterrupto de munição. Hoje, a logística abrange todas as atividades envolvidas na cadeia de suprimentos, produção e distribuição de uma empresa. Começa com o fornecimento de matérias-primas e componentes para a criação do produto e termina com as diversas etapas de sua distribuição até chegar ao consumidor. Essas funções são desempenhadas por operadores logísticos, que executam uma ou mais fases de todo o processo.
– Quais são os números do setor de logística na Espanha?
Considerando que os custos logísticos abrangem todas as despesas incorridas pelas empresas nas suas atividades de aquisição e distribuição, o seu volume é significativo, atingindo quase 10% do PIB. Mais precisamente, a receita dos operadores logísticos em Espanha aproxima-se dos 4.000 mil milhões de euros. Este montante divide-se por pouco mais de uma centena de empresas, das quais as dez maiores representam mais de 50% do total. O setor conta com uma forte presença de capital estrangeiro e gera um número significativo de empregos, totalizando 25.000.
– Dado que este é um setor com forte crescimento, quais são, na sua opinião, os temas de maior interesse?
A principal preocupação compartilhada pelas empresas do setor é alcançar um crescimento equilibrado, saudável e positivo na indústria logística. Para atingir esse objetivo, o crescimento deve se basear em: 1) manter e aumentar a qualidade dos serviços, dada a complexidade do negócio; 2) aumentar a capacidade de atendimento dos operadores logísticos; 3) apoiar a viabilidade das empresas de logística; e 4) valorizar adequadamente os serviços e a rentabilidade dos operadores logísticos.
– Como a logística espanhola difere da logística europeia?
As diferenças começam com o próprio ambiente em que os serviços são prestados. Os principais países europeus, como França, Alemanha, Reino Unido e Itália, têm densidades populacionais mais elevadas e, com exceção da França, são menores que a Espanha. Isso facilita a prestação de serviços logísticos devido às distâncias mais curtas e à maior concentração de operações. Em contrapartida, a Espanha tem a menor densidade populacional, já que sua população, com exceção de Madri, está concentrada ao longo da costa. Essa situação justificaria tarifas mais altas do que nos países mencionados, sem implicar perda de qualidade entre os operadores espanhóis, que figuram consistentemente entre os melhores da Europa.
– Qual é a situação atual da regulamentação no setor?
A legislação atual está desatualizada e obsoleta. A Lei de Transporte Terrestre (LOTT) precisa urgentemente ser atualizada ou substituída por uma nova regulamentação que reflita e incorpore os avanços rápidos e significativos ocorridos no setor nos últimos anos e que adapte os papéis da logística, suas funções, etc. Além disso, são necessárias regulamentações trabalhistas e profissionais específicas, visto que a legislação existente aborda apenas o transporte.
É também muito importante harmonizar as diferentes áreas regulatórias que regem as operações logísticas, desde as administrações locais até as centrais, incluindo as regionais, sem esquecer o papel cada vez mais importante das regulamentações europeias.
– Poderia definir-nos o que é Lógica, sua organização, funções, objetivos, etc.?
A Lógica, Associação Empresarial de Operadores Logísticos, conta com 52 empresas associadas que representam 70% do faturamento do setor. Por meio da associação, buscamos promover a adoção de normas e regulamentações que permitam às empresas operar dentro de um ambiente adequado e seguro. Defendemos a autorregulamentação por parte dos operadores, com foco na obtenção dos mais altos níveis de qualidade de serviço, mantendo a rentabilidade.
Atualmente, estamos trabalhando na finalização de um Código de Boas Práticas, que permitirá aos operadores obter o Selo de Qualidade Logística. Também estamos comprometidos com a capacitação em suas diversas vertentes. Além dessas iniciativas, representamos os interesses do setor em Bruxelas, colaboramos com a consultoria Deloitte em diferentes projetos e participamos de diversos fóruns da indústria.
– Que futuro aguarda a logística?
O futuro do setor depende de três áreas-chave de desenvolvimento: o crescimento da atividade logística; a melhoria dos serviços por meio da consolidação de atividades e da otimização de processos; e a otimização dos resultados e sua contribuição para a estabilidade dos negócios. Há uma preocupação atual com o impacto do aumento dos preços dos combustíveis nos lucros dos operadores logísticos e com as dificuldades em repassar esses custos. A deslocalização da produção que estamos presenciando em alguns setores pode afetar, mas não necessariamente impactar, os operadores logísticos. Esse impacto real exigirá a adaptação dos processos às novas situações e serviços.





