José María López Bueno, presidente do Proyecto Melilla: “Quando você informa as pessoas sobre as vantagens que Melilla oferece, você desperta grande interesse”.

– Na sua opinião, quais são as conquistas desta instituição ao longo dos seus 13 anos de existência?
Ao longo dos anos, consolidamos uma estrutura altamente operacional para aproveitar as oportunidades oferecidas pelos governos central e europeu, criando estruturas que fomentam o desenvolvimento econômico. O Projeto Melilla administra a maior parte dos fundos europeus, tanto para capacitação empresarial quanto para apoio à gestão e ao investimento. O que faltava, e que começamos a implementar há pouco mais de um ano, era a promoção de Melilla como destino de investimento, dadas as suas inúmeras vantagens desconhecidas no resto da Espanha. Além da nossa participação em feiras comerciais, temos estado em contato com adidos comerciais de toda a UE, dos EUA, da Suíça e da Noruega. Ademais, somos membros da Câmara de Comércio Franco-Espanhola. Em suma, estamos tomando as medidas necessárias. E a resposta que estamos recebendo é muito positiva, pois há um completo desconhecimento da realidade de Melilla.
– Que vantagens Melilla oferece às empresas?
Melilla possui um regime tarifário especial dentro da União Europeia, que permite a entrada de produtos de países terceiros na cidade sem impostos alfandegários. Se esses produtos passarem por uma transformação específica, podem acessar o mercado aduaneiro comum como se fossem originários de Melilla, ou seja, sem quaisquer tarifas. Isso pode ser aproveitado por muitas empresas. Outra grande oportunidade reside nas vantagens fiscais oferecidas por todos os tipos de serviços empresariais que não exigem presença física no local de prestação de serviços: telecomunicações, internet, gestão de direitos autorais, gestão de ativos financeiros, operações internacionais de importação/exportação, entre outros. Em outras palavras, serviços em que a localização da operação não importa, embora seja mais vantajoso realizá-la onde existam taxas de impostos mais favoráveis, como é o caso de Melilla, onde o imposto sobre as sociedades oferece uma redução de 50%. Elaboramos um roteiro para setores específicos, descrevendo os passos que uma empresa deve seguir ao estabelecer o seu negócio em Melilla para obter os benefícios correspondentes. Exemplos: telemarketing, internet, software, etc.
– Como as empresas estrangeiras estão respondendo a esses incentivos?
De forma muito favorável. Como existe muita ignorância sobre Melilla, quando você explica as vantagens que ela oferece, isso desperta grande interesse; as pessoas querem saber mais. Já me reuni com investidores e seus advogados para discutir como estruturar suas empresas de forma a localizar atividades que lhes permitam aproveitar esses benefícios, pois algumas de suas áreas de negócios se beneficiariam das vantagens que Melilla oferece.
– Até que ponto a proximidade entre Melilla e Marrocos pode ser de interesse para as empresas?
Na vida cotidiana entre Melilla e Marrocos, existe uma troca econômica que não dura décadas, mas séculos, e que se mantém porque é benéfica para ambas as partes. Portanto, para empresas com laços com Marrocos, é muito mais eficiente ter o centro de logística e gestão a 500 metros ou dois quilômetros do mercado com o qual atuam do que a 500 quilômetros de distância. Isso tem funcionado bem. Além disso, Melilla possui uma fronteira comercial, o que permite que todas as exportações sejam canalizadas sem problemas.
– Muito se tem falado sobre as oportunidades e as novas competências que surgirão após o recente alargamento da UE. Tem receio de que, ao olhar tão para leste, Melilla fique de fora do cenário europeu?
Não temos receios por um motivo: o que está acontecendo nos países do Leste Europeu é uma relocalização industrial impulsionada pelos custos de mão de obra, e a Espanha dificilmente conseguirá competir nesse cenário. Sempre haverá alguém que possa realizar trabalho braçal por um custo menor, e a mão de obra sempre será mais barata nos países em desenvolvimento do que em países com um desenvolvimento industrial muito maior. Acredito que o fator competitivo não é o custo; competir apenas com base no preço é arriscado, todos sabemos disso. Os líderes em qualquer mercado não são os líderes de preço, mas sim os líderes de serviço e qualidade. O que a Espanha pode oferecer neste mundo globalizado que agora é a UE é capacidade de gestão, inovação e serviço. Confiabilidade, em resumo. E Melilla tem muito a oferecer nesse sentido.

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