Ignacio Olmos, diretor do Instituto Cervantes em Berlim: Mudando estereótipos

O diretor do Instituto Cervantes em Berlim atribui a diferença entre esta filial e os outros centros da rede à própria identidade da cidade: "Em Berlim, é possível ver as cicatrizes de uma história tão fascinante quanto brutal em cada esquina. No entanto, hoje Berlim é novamente jovem, vibrante, dinâmica, internacional e multicultural: atrai artistas, escritores, cineastas e designers do mundo todo."
Essas características, aliadas à importância política e geoestratégica da capital alemã entre a Europa Ocidental e Oriental, definem o papel significativo do Instituto no debate cultural europeu. "O Instituto Cervantes, além de aproximar os berlinenses do que acontece na Espanha e na América Latina, busca principalmente disseminar ideias em ambas as direções, contribuindo com perspectivas formuladas em espanhol para movimentos e tendências internacionais", acrescenta Ignacio Olmos.
Em relação à imagem da cultura espanhola no país, o diretor afirma que ainda persistem estereótipos do século XIX. No entanto, ele destaca que: "essa imagem está mudando, e hoje a Espanha é cada vez mais vista como um país que alia alta qualidade de vida com eficiência e confiabilidade nos negócios, um país de inovação, design e também senso de humor."
Segundo Olmos, o interesse pela cultura espanhola na Alemanha está crescendo constantemente, como comprovam os 2.850 alunos matriculados no Instituto Cervantes em seu primeiro ano de funcionamento em Berlim. "Acredito que o cinema seja um setor fundamental para mudar estereótipos, e está se mostrando muito bem-sucedido na Alemanha. Penso em 'Segundas ao Sol', que acaba de estrear na Alemanha com críticas extraordinárias em todos os meios de comunicação. E também em Jordi Savall, que lota salas de concerto na Alemanha com música barroca espanhola, em um cenário verdadeiramente competitivo na Europa."
A relação entre os esforços de promoção cultural do Instituto Cervantes e a atividade empresarial espanhola na Alemanha não é muito significativa, dada a presença limitada de empresas espanholas no país. A este respeito, Olmos explica que "os contactos com empresas espanholas têm sido esporádicos até agora, mas estamos a trabalhar num projeto para criar uma Fundação Cervantes, que esperamos que integre empresas espanholas com interesses na Alemanha e que sirva de apoio ao desenvolvimento de programas culturais sob a marca 'Espanha'".
O diretor conclui afirmando que "é importante que as empresas espanholas vejam a cultura de língua espanhola como uma aliada em uma estratégia de longo prazo. Trata-se de um modelo já existente que exige muita visão, estratégia e planejamento."

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