Segundo comunicado da Ferrovial à CNMV, após a conversão das ações preferenciais detidas pelo Kredyt Bank na Budimex em ações ordinárias, os direitos de voto da Ferrovial sobre a empresa polaca aumentaram de 49,99% para 58,72%, o que, de acordo com a legislação em vigor na área, obrigou a Ferrovial a adquirir 100% da empresa.
Segundo essa legislação, a Ferrovial deveria oferecer como preço de compra, no mínimo, o preço médio das ações nos últimos seis meses, o que significaria pagar 6,70 euros por ação (preço 20% inferior ao último preço cotado) e acarretar um custo para a construtora espanhola de 70 milhões de euros.
O prêmio médio pago por aquisições recentes no setor de construção europeu é de 30% acima do preço final, o que, no pior cenário, significaria um pagamento de 109 milhões de euros pela Ferrovial.
Em ambos os casos, o pagamento seria feito com recursos do tesouro, que totalizam aproximadamente 500 milhões de euros gerados pela venda de 40% da Cintra para a MIG.
As mudanças que esta aquisição trará a nível estratégico não serão significativas para a Ferrovial, uma vez que até agora era a acionista maioritária e detinha 49,99% dos direitos de voto, o que lhe permitiu realizar uma reestruturação completa da empresa, incorporando os sistemas de gestão e TI que a Ferrovial gere.
Já a empresa polonesa Budimex apresentou recentemente seus resultados, demonstrando um excelente desempenho tanto em receita quanto em lucro, com vendas de 691 milhões de euros (+6%) em um ano no qual o setor da construção civil na Polônia sofreu uma queda de 10% (o diferencial para a Budimex reside em sua especialização em obras civis em um momento de revitalização da região), embora seu EBIT tenha sido impactado por custos de reestruturação e certas provisões acima do esperado.
Por outro lado, as estimativas para os próximos anos apontam para um lucro líquido de 15 milhões de euros em 2002, comparado com prejuízos de 4 milhões de euros no ano anterior, e de 25 milhões de euros em 2003. A isso deve-se acrescentar a possível entrada da Polônia na União Europeia e, dada a escassez de infraestrutura no país, a previsível chegada dos Fundos de Coesão e o volume de obras que isso irá gerar, beneficiando a Budimex por ser especializada em engenharia civil.
Segundo Ricardo Gil, Diretor de Investimentos da Renta 4, "continuamos otimistas em relação à Ferrovial e a mantemos nas carteiras Blue Chips e Modelo, aguardando dados e datas específicos referentes à compra dos 41% da Budimex que ainda não possuímos."





