Feiras Comerciais Internacionais (Parte II) A indústria de feiras comerciais viaja para a Ásia


Nos últimos anos, o setor de feiras comerciais passou por um rápido processo de internacionalização. A competição não se limita mais a eventos dentro de um mesmo país, mas se estende a diferentes continentes. China, Sudeste Asiático, Austrália, Turquia, Estados Unidos e Brasil se tornaram os principais mercados potenciais para os quais a indústria de feiras comerciais está se direcionando. Por enquanto, a Ásia está na frente.

Atualmente, o continente europeu não é o único imerso em um processo de integração econômica. Nos últimos anos, o mercado asiático abriu suas portas para os mercados internacionais. A recente entrada de países como a China na OMC (Organização Mundial do Comércio) acelerou o crescimento de suas economias.

Nesse contexto de mercados abertos, o setor de feiras comerciais asiáticas tem muito a oferecer. Prova disso é que importantes eventos europeus, incluindo os da Alemanha, estão transferindo parte de suas operações para lá, estabelecendo conexões com instituições, organizadores e empresas em todo o continente.

O principal país que atualmente atrai atenção é a China. O gigante asiático possui o local mais moderno e bem equipado do continente: o Shanghai New International Expo Center (SNIEC). Este mês de novembro marca o segundo aniversário de sua inauguração, fruto da colaboração entre a Messe Hannover, a Messe Düsseldorf e a Messe Munich, juntamente com a Shanghai Pudong Land Development, para formar a joint venture SNIEC.

Juntamente com Xangai, o Centro de Convenções e Exposições de Hong Kong (HKCEC) é outro importante polo do setor. Empresas estrangeiras utilizam o HKCEC para apresentar seus produtos, serviços e ideias ao mundo. O local dobrou sua capacidade em 1997, tornando-se um dos melhores do continente.

Fora da China, outro dos centros de feiras comerciais mais ativos da Ásia é Singapura. O setor de feiras comerciais neste país gera cerca de US$ 1,3 trilhão e contribui indiretamente para o desenvolvimento de indústrias relacionadas, que faturam um total de US$ 1,8 trilhão graças à atividade das feiras.

No Sudeste Asiático, encontramos outros importantes centros de feiras comerciais, como o Centro Internacional de Comércio e Exposições de Bangkok (BITEC), o mais importante da Tailândia, com capacidade para 100.000 visitantes por dia.

Os Estados Unidos, um mercado separado

O mercado de feiras comerciais dos EUA atravessa um ligeiro período de estagnação, causado precisamente pela ascensão de novos mercados, como o asiático. Além disso, as elevadas tarifas alfandegárias representam um obstáculo às relações comerciais com outros países do mundo. Não obstante, o setor de feiras comerciais dos EUA continua a ser um dos mais importantes do mundo.

No último levantamento realizado pelo CEIR (Centro de Pesquisa da Indústria de Exposições), este instituto contabilizou um total de 11,094 feiras comerciais nos Estados Unidos. Esse número dá uma ideia da grande diversidade de feiras comerciais existentes no país. Só a cidade de Nova York sedia mais de 100 eventos por ano.

As cidades americanas com a tradição mais forte em feiras comerciais são Los Angeles, Miami, Las Vegas, Chicago e Nova York. O Instituto Espanhol de Comércio Exterior (ICEX) possui escritórios em todas essas cidades, administrados pelo Escritório Espanhol de Comércio Exterior. Por meio desses escritórios, as empresas espanholas podem obter informações sobre qual feira comercial melhor atende às suas necessidades.

Entre os espaços mais importantes do país, podemos destacar: o Jacob K. Javits Convention Center (Nova York); o McCormick Place (Chicago); o Sand Expo & Convention Center (Las Vegas); o California Mart Exhibit Center (Los Angeles); o Georgia World Congress Centre (Atlanta); o San Francisco Concourse Exhibition Centre (São Francisco); e o Miami Beach Convention Center (Miami, Flórida). Todos eles oferecem aproximadamente meio milhão de metros quadrados de espaço para exposições.

Próxima parada: Austrália

Atualmente, as feiras comerciais na Austrália são predominantemente locais e voltadas para o consumidor final, um modelo conhecido como Business-to-Consumer (B2C). Portanto, elas são uma ferramenta adequada somente quando a empresa expositora já possui presença no país. Geralmente, importadores, distribuidores e agentes australianos participam de feiras comerciais internacionais para selecionar seus fornecedores e não esperam encontrá-los expondo em eventos locais.

Uma consequência desse foco local é o pequeno porte das feiras comerciais, especialmente quando comparadas às suas congêneres na Europa, Ásia ou Américas. Setores que, devido ao seu pequeno porte, não possuem uma feira comercial dedicada, tendem a ser agrupados em uma feira multissetorial.

No entanto, vale ressaltar que as feiras comerciais nacionais e internacionais estão gradualmente ganhando importância. É um processo lento, mas que já chamou a atenção dos organizadores de feiras comerciais na Europa, Ásia e América do Norte.

Entre os locais mais importantes da ilha está o Centro de Convenções e Exposições de Sydney, que possui seis pavilhões de exposições, totalizando 27.000 metros quadrados. Outros dois centros igualmente importantes são os de Melbourne (Centro de Exposições e Convenções de Melbourne) e Brisbane (Centro de Convenções e Exposições de Brisbane).

O Brasil recupera sua força

Diferentemente de outros países da América Latina, onde o setor de feiras comerciais está muito atrasado em relação à Europa, no Brasil o setor está em fase de recuperação.

O governo brasileiro reconheceu que um aumento substancial nas exportações é essencial para impulsionar a produção e criar novos empregos, o que, por sua vez, serve de estímulo para os setores de feiras comerciais e turismo de negócios.

Nas palavras do presidente da UBRAFE (União Brasileira de Promotores de Feiras), João Batista de Lima, "a importância do setor de feiras comerciais está crescendo rapidamente devido à necessidade atual e vital do país de exportar e gerar novas divisas. Diversos setores da indústria estão se preparando para essa nova realidade, aprimorando constantemente seus produtos e serviços e adaptando-os às demandas internacionais."

O Governo, por sua vez, está desenvolvendo um programa para este ano, especificando os mercados prioritários, criando missões comerciais cujos objetivos serão os mercados do México, Rússia, Índia e China, além de buscar novas oportunidades.

Internet e o futuro do setor

“As feiras comerciais deixaram de ser eventos exóticos; agora precisam competir com outras mídias, como a internet”, afirma o Dr. Hermann Kresse, diretor executivo da Associação Alemã de Feiras e Exposições (AUMA). Todas as informações importantes sobre feiras comerciais na Alemanha e no exterior podem ser encontradas no site da associação (www.auma.de). “No entanto, a rede global de dados não pode substituir o contato direto”, declara Peter Neven, chefe da seção nacional de feiras comerciais da AUMA, que acredita que “a internet não é uma concorrente, mas sim um complemento valioso”.

Nesse sentido, a empresa organizadora da Feira de Frankfurt, a maior da Alemanha em termos de expositores e visitantes, oferece diversos serviços online para feiras comerciais em www.messefrankfurt.de. Diante do feedback positivo, decidiu expandir esse serviço de informações para o setor de feiras comerciais, incluindo serviços de marketing, fóruns e plataformas relacionados ao segmento. Um dos objetivos é também auxiliar os visitantes a se prepararem melhor para o evento, permitindo que acessem o site correspondente com antecedência. Isso possibilita o acesso direto aos sites dos expositores por meio de links.

Além disso, a Deutsche Messe AG de Hanôver possui presença online por meio de seu Sistema Global de Informações Comerciais Online. Com quase 20.000 registros de empresas e 40.000 registros de produtos, o www.globis.de é um dos principais bancos de dados do setor. Já em 1998, a empresa começou a vender ingressos, catálogos e informações sobre produtos online. No futuro, a empresa oferecerá aos expositores da CeBIT (Feira Internacional de Tecnologia da Informação e Comunicações) uma nova oportunidade: a feira será transmitida ao vivo para o mundo todo pela internet.


Coexia®

Inteligência artificial no comércio exterior

Olá! Sou Coexia. Como posso te ajudar hoje com sua estratégia de internacionalização?
Coexia IA do comércio exterior