No ano que vem, nós, europeus, nos tornaremos uma grande família de vinte e cinco membros. E alguns parentes já anunciaram que se mudarão para cá em breve.
Considerando o que alguns chamam de "Europa global", podemos nos perguntar algo que a própria globalização suscita: está surgindo uma forma única e comum de liderar, gerir e fazer negócios no mundo — e na Europa em particular? Ou, pelo contrário, as diferenças culturais persistem?
A questão da convergência versus divergência é um dilema que tem ocupado pesquisadores, gestores e profissionais há anos. Se é verdade que estamos nos tornando cada vez mais semelhantes e agindo de forma mais homogênea, então as diferenças culturais serão menos importantes no trabalho e nos negócios. Se, ao contrário, a realidade é que permanecemos distintos, a compreensão e a gestão adequada das diferenças culturais se tornarão gradualmente mais significativas.
Pesquisas indicam que ambos os fenômenos — convergência e divergência — estão ocorrendo simultaneamente, mas em níveis diferentes. A convergência parece se manifestar no nível macro — estrutura, organização, tecnologia etc. — enquanto a divergência se concentra no nível micro, particularmente em processos e ações interpessoais — negociações e vendas, por exemplo — e no comportamento humano dentro das organizações.
Em outras palavras, pode-se dizer que as organizações estão se tornando cada vez mais semelhantes, mas o comportamento humano dentro e fora delas mantém diferenças culturais.
E tem mais. A cultura organizacional, que à primeira vista pode parecer neutralizar ou atenuar as diferenças culturais "nacionais", provou ser justamente o oposto. Ela não só as deixa intactas, como também as reforça, mesmo quando se trabalha em grandes multinacionais com uma cultura organizacional forte (IBM, Coca-Cola, etc.).
Na verdade, as práticas de gestão e negócios não são tão globais quanto parecem. Uma extensa pesquisa realizada com 11.678 gestores de 25 países diferentes concluiu que "a ideia de uma comunidade global onde uma cultura empresarial comum unifica as práticas profissionais e comerciais em todo o mundo é mais um desejo do que uma realidade". (1)
E, referindo-se especificamente à Europa, a conclusão é muito semelhante. O professor Kakabadse, da Cranfield School of Management (Reino Unido), comenta que, como resultado de seu estudo intitulado "Programa de Pesquisa sobre Competências de Altos Executivos", "não existe um estilo europeu de gestão, o que reforça a evidência de que 'fazer as coisas à maneira europeia' é um fenômeno irrealista hoje em dia". É, em suma, o que tem sido chamado de "mito da convergência".
Se, como vimos, tudo indica que na nova Europa, a "Europa global", a diversidade cultural continuará a ser mantida, senão aumentada — Hofstede prevê que este será o caso por mais alguns séculos — então é essencial e urgente enfatizar a gestão adequada das nossas diferenças culturais. Como? Através da formação nos princípios e técnicas da comunicação intercultural em geral, e da sua aplicação aos negócios e às empresas em particular. Porquê? Porque sabemos que as competências de comunicação intercultural não são inatas e, portanto, têm de ser aprendidas. Com que propósito? Para não ficarmos para trás. No ambiente social, político e económico-empresarial em que vivemos e trabalhamos — e em que viveremos cada vez mais — existe um consenso unânime de que dominar as competências interculturais já é, e continuará a ser, uma fonte crucial de vantagem competitiva e um fator-chave para a sobrevivência.
Quem madruga, Deus ajuda…
(1) Kanter, RM Transcending business boundaries: 12,000 world managers view change. Harvard Business Review, May/June 1991.




