O mercado americano está se recuperando da ilusão de euforia econômica alimentada pelo boom do setor de tecnologia, que levou a um período de recessão e agora está dando lugar à incerteza projetada pelo conflito no Iraque.
Atualmente, os Estados Unidos continuam sendo a maior economia do mundo, respondendo por aproximadamente um terço da produção global. Essa poderosa estrutura econômica se baseia principalmente no setor de serviços, que representa cerca de três quartos do PIB total.
No entanto, o mercado americano encontra-se em fase de recuperação, após a recessão sofrida durante o ano 2000, como consequência do "efeito riqueza" que caracterizou o mercado de ações e se estendeu ao setor privado, causando endividamento corporativo e aceleração do consumo, consequência para a qual também contribuiu em grande medida a saturação sofrida pelo setor tecnológico no país.
Nesse sentido, as políticas monetárias e fiscais implementadas pelo governo Bush impulsionaram os lucros corporativos e as exportações, equilibrando o consumo e melhorando o investimento. Consequentemente, 2003 registrou um crescimento econômico significativo de quase 3%, que deverá manter a tendência de alta em 2004, segundo projeções da seguradora Coface Ibérica.
A esses resultados deve-se somar o impacto positivo da depreciação do dólar na balança comercial, que, no entanto, foi contrabalançado pelo aumento das importações, que cresceram mais rapidamente do que as exportações do país. Assim, a evolução do comércio exterior dos EUA constitui um fator negativo na expansão de sua economia, resultando em um déficit comercial crescente que atingiu US$ 42.478 bilhões em dezembro de 2003, segundo o Relatório de Perspectivas Econômicas da Caixa Catalunya.
Em relação aos principais parceiros comerciais do país, os últimos anos têm testemunhado um aumento notável nos fluxos comerciais com o México, um aumento nas importações de mercadorias da China e um declínio gradual no comércio com o Japão, de acordo com dados do Escritório Econômico e Comercial da Espanha em Washington, D.C. Nesse contexto, a presença da Espanha no setor comercial permanece bastante modesta.
Outra questão que o governo dos EUA ainda precisa abordar é a criação de empregos. A Coface Ibérica afirma que "o nível de emprego assalariado permanece inferior ao alcançado em novembro de 2001, que marcou o início da atual fase de expansão".
Por outro lado, o conflito com o Iraque não parece ter impactado significativamente a economia do país, visto que o consumo das famílias não diminuiu apesar do aumento do desemprego. Vale destacar a tendência positiva decorrente das expectativas geradas pela reconstrução do Iraque nos setores da construção civil e de serviços, nos quais os Estados Unidos estão bastante envolvidos.
No entanto, o clima de incerteza em relação ao futuro econômico do país persiste. Problemas como a inflação e o déficit fiscal, decorrentes dos altos custos dos programas militares do governo, não pintam um quadro totalmente otimista.
A situação no Iraque, que persiste há mais de um ano com constantes interrupções na rede de distribuição de petróleo do país, impediu que o país atingisse os níveis de produção desejados. Isso resultou no alto preço do barril de petróleo, que atualmente ultrapassa US$ 40 em Nova York.
Essa situação coloca o Federal Reserve (Fed), entidade responsável pela política monetária e supervisão bancária nos Estados Unidos, em uma posição difícil. Se a inflação de mercado acelerar em decorrência da alta dos preços do petróleo, o Fed poderá ser forçado a aumentar as taxas de juros, comprometendo seriamente a recuperação econômica.
Resumindo, os efeitos serão significativos, porque, como afirma a Agência Internacional de Energia (AIE), "a maioria das crises econômicas nos Estados Unidos, na Europa e no Pacífico desde a década de 70 foram precedidas por aumentos repentinos no preço do petróleo bruto".

