O projeto europeu da Romênia está atualmente enquadrado na política interna do país, de acordo com declarações do Ministro das Relações Exteriores, uma vez definidas as datas para a sua integração.
O ambiente internacional romeno está voltado para a manutenção e promoção de boas relações com os países vizinhos, para que a Romênia possa se consolidar como uma ponte entre a Europa Central e o continente asiático.
– A transformação política e econômica do país nos últimos doze anos pode ser descrita como extraordinária. O que resta na Romênia, em termos de política externa e internacional, do antigo regime?
Historicamente, o que aconteceu na Romênia nos últimos doze anos representa um salto verdadeiramente espetacular. O país passou de uma nação submetida a uma ditadura terrível para uma nação democrática; de um país isolado para um país que se integrará à UE e à OTAN.
Se perguntarmos aos cidadãos se estão satisfeitos com essa mudança, alguns responderão que não, porém a transformação continua sendo importante, pois o país está agora caminhando em direção à família europeia.
Nós, romenos, sempre tivemos um instinto ocidental. Construímos uma verdadeira mitologia nacional nesta ilha de latinidade que é a Romênia. É por isso que as relações do país com as nações do sul, especialmente com a Espanha, sempre foram uma prioridade.
Existem alguns aspectos muito relevantes no âmbito nacional. Em primeiro lugar, a reconciliação histórica com a Hungria, que, neste momento, pode ser comparada à reconciliação entre a França e a Alemanha.
Outro evento importante foi a dissolução da Iugoslávia e da União Soviética, que aumentou a importância da Romênia na região. Naquela época, o país era visto como uma força estabilizadora nos Balcãs.
Estamos empenhados em estabelecer uma relação moderna, europeia e construtiva com a Ucrânia, a Rússia e a Moldávia, especialmente com esta última, um país muito próximo. Após o 11 de setembro, pretendemos consolidar uma ponte através do Mar Negro até o Cáucaso e a Ásia Central, região que consideramos uma extensão do Oriente Médio. Com a integração da Romênia na UE e na OTAN, podemos afirmar que o Mar Negro se torna uma extensão do Mediterrâneo, assim como a presença da Romênia nessa região constitui uma continuidade em direção ao Adriático e ao Mar Cáspio.
Por fim, a Romênia integrará a fronteira tanto à OTAN quanto à UE, com a responsabilidade de defendê-la contra o crime organizado e a imigração ilegal.
– Muito já foi feito no país, mas ainda há algumas questões pendentes. Qual é a preocupação mais urgente do Ministério das Relações Exteriores neste momento?
A chave é trabalhar para concluir com sucesso a integração na UE. Nosso objetivo é que as negociações terminem em 2004, que o Tratado de Adesão seja assinado em 2005 e que estejamos integrados em 2007.
Além disso, queremos desempenhar um papel mais significativo no debate político e social interno sobre as principais questões europeias. A partir de agora, a Europa deixa de ser uma questão de política externa romena e passa a fazer parte da sua política interna.
Temos a obrigação moral, política e estratégica de ajudar os países vizinhos que ainda não se alinharam à OTAN e à UE a avançarem nessa direção, especialmente os dos Balcãs Ocidentais. Queremos oferecer apoio para uma integração moderna e adequada com o Leste e servir de trampolim para os assuntos europeus e para o progresso na região, bem como de projeção para a Ásia.
– Qual seria a sua avaliação em relação à adesão de mais países à União Europeia, como a Turquia?
A questão da Turquia é fundamental para a Europa. A Romênia, como país vizinho e amigo da Turquia, gostaria de ver a Turquia se juntar a nós o mais breve possível, dentro da UE.
O resultado da Conferência Intergovernamental deste outono nos levará a um nível de integração sem precedentes. Alguns defendem que a futura integração ocorra em torno de grupos de países, o que naturalmente leva à pergunta: quando a Turquia se juntará à UE?
Acreditamos que a integração da Romênia e da Bulgária será um passo positivo nessa direção. Estabeleceremos um corredor físico entre a Europa Central e a região sul da Grécia e da Turquia.
Deveríamos ter uma visão geográfica mais ambiciosa para a União Europeia, porque se queremos que a UE desempenhe um papel global, não devemos ter medo de ser vizinhos do Irã e do Iraque ou do Oriente Médio.
– Qual a sua opinião sobre a posição assumida pela Espanha na guerra contra o Iraque?
A posição da Espanha era idêntica à da Romênia. É preciso construir uma Europa forte com boas relações transatlânticas.
Apesar de a opinião pública, especialmente em Espanha, ter reagido contra a posição do Governo com muitos argumentos válidos, a obrigação dos governos, mesmo correndo o risco de serem impopulares, é zelar pelo interesse nacional a médio e longo prazo.
– Como você avaliaria as últimas ações do Presidente da Convenção Europeia, Giscard D'Estaing, em relação ao futuro da Europa?
O debate sobre o futuro da Europa e da Constituição Europeia, creio eu, está no cerne do problema: qual é o papel da religião? Qual é o papel das religiões cristãs? Qual é a relação com os países de outras religiões? A Romênia é, em sua maioria, um país ortodoxo, com católicos, protestantes e greco-católicos. Temos uma experiência multirreligiosa muito significativa, e é por isso que nossa experiência nos ensina que a ênfase deve estar nos valores e princípios. A Europa não precisa ser um clube exclusivamente cristão. Isso não significa que não devamos considerar a fé e a crença em Deus como um valor fundamental.
– Qual será a contribuição da Romênia para a UE?
A Romênia, juntamente com os outros países que se juntarão ao projeto, trará muito entusiasmo. Além disso, contribuímos com um nível de educação e formação profissional muito superior à média europeia.
Por outro lado, desfrutamos de uma dimensão multicultural, baseada na nossa relação com o Leste e o Sul. O sucesso da Europa deve ser forjado através da diversidade e da criatividade.
– Como você avaliaria as relações diplomáticas e comerciais entre a Espanha e a Romênia?
A ligação política, cultural e emocional é sem precedentes. Precisamos fortalecer os laços econômicos e comerciais. Gostaríamos de ver mais empresas espanholas no mercado romeno e um intercâmbio bilateral de nossos jovens universitários.
Quero enfatizar que nossa relação com a Espanha é fundamental; sua trajetória e sucesso são uma fonte de inspiração para nós. Juntamente com Ana Palacio, decidimos criar um fórum comum para a Europa, que reunirá na Romênia os arquitetos do sucesso e do progresso da Espanha.
Meu sonho é ver a Romênia no mesmo patamar que a Espanha daqui a dez ou doze anos.





