Entrevista com Jaime Malet, presidente da Câmara Americana de Comércio na Espanha: "Ganhar participação de mercado nos Estados Unidos significa ganhar participação de mercado no mundo todo."

– Qual é a origem da Câmara de Comércio Americana?
Foi fundada em 1917 na Espanha e é afiliada, assim como outras 94 Câmaras de Comércio americanas, à principal organização empresarial dos Estados Unidos, a Câmara de Comércio dos EUA.
-Que serviços a Câmara presta às empresas, especificamente às empresas espanholas?
A Câmara tem diversos objetivos, todos alinhados à meta central de aprimorar as relações comerciais bilaterais entre a Espanha e os Estados Unidos. Por um lado, defende e protege os interesses do principal investidor estrangeiro no país, que é o investidor americano. Por outro lado, como Câmara bilateral, apoia as empresas espanholas em seu estabelecimento e exportação para o maior mercado do mundo, os Estados Unidos.
– De que forma se materializa esse apoio às empresas espanholas?
Este ano organizamos a primeira viagem de negócios de um chefe de governo em exercício aos Estados Unidos — o ex-presidente espanhol — em 13 de janeiro, com as maiores empresas do país interessadas no mercado norte-americano. Também organizamos uma missão comercial ao Texas com as principais empresas de infraestrutura do país para que pudessem conhecer melhor um projeto de US$ 150.000 bilhões, que as empresas espanholas têm grandes chances de garantir.
Organizaremos uma missão comercial para pequenas e médias empresas na Califórnia em setembro ou outubro. E estamos apoiando uma missão comercial ao Vale do Silício organizada pelas Câmaras de Comércio de Barcelona e Madri.
Também organizamos eventos, seminários e pesquisas de mercado. Acima de tudo, damos o exemplo e demonstramos que o mercado norte-americano é maduro, desafiador, mas extremamente recompensador e homogêneo. O mercado norte-americano não pode ser ignorado, como as empresas espanholas fizeram durante tantos anos.
-Como você avaliaria as opções para as PMEs espanholas neste mercado?
O mercado é competitivo, mas meritocrático. Nos Estados Unidos, o que importa é ser melhor que a concorrência, não a raça ou a origem, mas sim chegar lá, dedicar recursos e encontrar seu nicho.
É um país enorme, então você precisa começar por uma região e não tentar atingir o mercado inteiro. A partir daí, você compete em igualdade de condições com qualquer outra empresa americana. Se você se sair melhor, alcançará uma escalabilidade que não existe em nenhum outro lugar do mundo; se se sair pior, acontece a mesma coisa que em qualquer outro país.
Há dois pontos que gosto de enfatizar para os empresários espanhóis. O primeiro é que não existe risco-país nos Estados Unidos. Na Espanha, a opinião pública e os poderes políticos incentivam as empresas a se realocarem para a América Latina, Europa Oriental, China… todos esses lugares apresentam risco-país: condições macroeconômicas, corrupção, mudanças políticas, falta de Estado de Direito, etc. Já nos Estados Unidos, as regras são muito claras. O dólar pode subir ou cair, mas nunca será desvalorizado, e a nacionalização de empresas é impensável.
Diferentemente de qualquer outro país do mundo, conquistar participação de mercado nos Estados Unidos significa conquistar participação de mercado globalmente. Isso não se verifica nem mesmo dentro da União Europeia, já que a Europa é um bloco heterogêneo, enquanto nos EUA, tanto os gostos dos consumidores quanto os padrões da indústria são altamente homogêneos, permitindo que qualquer empresa que tenha investido recursos humanos e financeiros garanta rápida expansão em um mercado de 300 milhões de pessoas.

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