– Analisando o fluxo comercial e econômico entre a Espanha e a Rússia, que tendência tem sido observada nos últimos anos?
Em termos quantitativos, as relações comerciais entre a Espanha e a Rússia são bastante limitadas. A Rússia ocupa o 23º lugar entre os destinos das exportações espanholas. As exportações espanholas em 2003 totalizaram € 816,2 milhões, representando um aumento de 2,6% em relação ao ano anterior. Nossa participação no mercado é pequena, em torno de 1%. A razão para essa presença limitada de nossas empresas reside em diferenças geográficas e culturais.
Ao longo do último ano e meio, este Gabinete Económico e Comercial tem observado uma mudança significativa nas tendências. Cada vez mais, as empresas espanholas, impulsionadas pelo forte crescimento económico que a Rússia tem registado (crescimento médio do PIB superior a 6% entre 2000 e 2003), estão a desenvolver estratégias para entrar no mercado russo. Prevê-se que esta tendência se mantenha a curto prazo.
– Quais são os passos que um empresário espanhol deve seguir para entrar no mercado russo?
Primeiramente, é essencial ter interesse neste mercado. A Rússia é um país com forte crescimento e significativo poder de compra. Tendo superado a crise econômica de 1998, a economia russa está experimentando um crescimento substancial e resolveu seus problemas de solvência externa. Em segundo lugar, é crucial compreender as práticas de mercado para mitigar os riscos de operar em uma economia em transição, com um arcabouço legal e práticas comerciais distintas daquelas encontradas em economias mais desenvolvidas. Finalmente, visto que nossas empresas não encontrarão dificuldades específicas em termos de produto, é importante desenvolver uma estratégia sólida de entrada no mercado. Os dias em que este mercado era ideal para escoar o excedente de produção parecem ter ficado para trás.
– Poderia recomendar algum setor econômico específico onde existam maiores oportunidades para as empresas espanholas?
A curto prazo, os setores de bens de consumo e agroalimentar oferecem boas oportunidades para as empresas espanholas. A indústria local não é muito competitiva, pelo que a maior parte dos gastos se concentra nas importações. Destaco os seguintes setores: mobiliário, calçado, têxteis, cerâmica, refeições prontas, conservas de legumes, vinhos e sumos.
Nos setores industriais, máquinas e equipamentos para as indústrias alimentícia, têxtil e de processamento de madeira também são de grande interesse.
A médio prazo, com a implementação dos planos de reforma do governo russo, poderão surgir boas oportunidades no setor energético, particularmente no setor de eletricidade, no setor de infraestrutura e no setor de turismo.
– Do seu ponto de vista, como você avaliaria a imagem da Espanha na Rússia?
A cultura espanhola desperta interesse e valor, havendo uma afinidade natural por tudo o que é espanhol. Contudo, na esfera comercial, a imagem da Espanha como um país moderno e industrializado não está muito bem definida, o que não surpreende dada a limitada presença de empresas e produtos espanhóis nesse mercado.

