Reunião empresarial hispano-iraniana: "A OPEP deve manter o preço do barril de petróleo entre 22 e 30 dólares."

"As decisões da OPEP devem visar o controle da produção de petróleo bruto, mantendo o preço do barril entre US$ 22 e US$ 30, e não prejudicando a economia global como um todo." Esta declaração foi feita pelo presidente da Câmara de Comércio Iraniana, An Kamushi, durante um encontro realizado hoje em Madri entre mais de cem empresas espanholas e iranianas, organizado pelas Câmaras de Comércio Espanholas.

Na opinião de Kamushi, "as oscilações nos preços do petróleo também não são benéficas para a economia mundial", donde se conclui que "preços excessivamente baixos não seriam a solução para os problemas econômicos internacionais".

Kamushi também abordou a situação no Iraque. Segundo o presidente do Parlamento iraniano, "o país mais afetado pelos eventos recentes, além do Iraque, foi o Irã, e queremos que a situação se normalize de acordo com a vontade do povo". Kamushi acrescentou que "a reconstrução do Iraque pode levar mais de vinte anos".

Estabilidade e segurança
O presidente da Câmara de Comércio do Irã afirmou que seu país é atualmente o mais estável e seguro do Oriente Médio, oferecendo um mercado de mais de 400 milhões de consumidores em potencial, o que representa "uma grande oportunidade para empresas estrangeiras". Segundo seus próprios dados, o Irã cresceu mais de 7% nos últimos anos, crescimento impulsionado em parte pela alta dos preços do petróleo.

Além disso, está em curso um processo de privatização de empresas estatais, juntamente com a promoção de leis que oferecem vantagens fiscais para investimentos. Segundo Kamushi, "A legislação atual no Irã promove a igualdade entre investidores estrangeiros e iranianos, com redução da carga tributária e sem limites financeiros para investimentos estrangeiros."

O presidente da Câmara de Comércio iraniana indicou que seu país é um mercado ideal para o estabelecimento de centros de produção e exportação de produtos para terceiros países, pois oferece vantagens fiscais significativas para vendas no exterior.

Automotivo e turismo
Apesar das perspectivas positivas do país, algumas deficiências persistem, as quais Kamushi acredita poderem ser sanadas com a atração de investimentos estrangeiros. Um dos principais obstáculos é o tamanho do setor público na economia iraniana, bem como a excessiva dependência do setor petrolífero, que representa 15% do Produto Interno Bruto e 80% das exportações. Kamushi defende a necessidade de diversificar a produção iraniana para novos setores com significativo potencial de desenvolvimento, como o turismo e a indústria automobilística.

É precisamente nesses setores que as oportunidades para as empresas espanholas são maiores. No turismo, as empresas iranianas têm destacado a expertise espanhola. O Irã possui mais de 2.400 quilômetros de litoral e um patrimônio cultural ainda em grande parte inexplorado, onde a cooperação hispano-iraniana pode ser crucial para impulsionar o desenvolvimento econômico do país.

O setor automotivo é outro nicho de mercado chave, visto que o Irã possui mais de 10 milhões de veículos que precisam ser substituídos para proteger o meio ambiente. O Irã também acredita que as pequenas e médias empresas (PMEs) espanholas do setor de autopeças podem encontrar um significativo potencial de crescimento.

Pesca, metalurgia, produtos semiacabados e eletricidade são outros setores com oportunidades. Atualmente, a Espanha possui projetos de investimento em petróleo, petroquímica e gás, entre outros.

Déficit comercial da Espanha
Por sua vez, Manuel Valencia, presidente do Comitê de Cooperação Empresarial Hispano-Iraniano das Câmaras de Comércio e vice-presidente da Técnicas Reunidas, afirmou que "embora o comércio entre os dois países atinja 1.300 bilhão de euros, existe um déficit comercial negativo para a Espanha que precisa ser superado".

Empresas como ACEX, BBVA, Banco Sabadell, Eductrade, Isolux, Técnicas Reunidas, Iberdrola e Cofides participaram do encontro de negócios, presidido por José Antonio Quiroga, vice-presidente das Câmaras de Comércio.

Desde junho de 2001, as Câmaras de Comércio mantêm um comitê bilateral para promover a entrada de empresas espanholas no mercado iraniano. Além disso, o Irã é um dos doze países que as Câmaras identificaram como prioritários para suas iniciativas de promoção comercial e cooperação empresarial.

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