O SETOR IMOBILIÁRIO INTERNACIONAL: O interessante mercado dos países do Leste Europeu.

Quando um investidor espanhol decide abrir um negócio ou expandir um já existente na Europa Oriental, ele se depara com diversas questões: Onde devo instalar minha empresa? Quais são os procedimentos necessários? Qual é o estado atual do mercado imobiliário nesses países? Quais são as vantagens fiscais e os subsídios disponíveis?

Devido à próxima abertura da União Europeia aos países da Europa Oriental, os empresários estão percebendo que existe um vasto campo a ser explorado para empresas que desejam entrar no mercado imobiliário nesses países.

Em primeiro lugar, porque muitas das barreiras legais existentes serão eliminadas. Em segundo lugar, devido às futuras melhorias na infraestrutura rodoviária e ferroviária que serão implementadas nesses países. E, mais importante ainda, devido à chegada de financiamento da UE para investimento estrangeiro.

Talvez por essas razões, o investimento imobiliário nos países da Europa Central e Oriental esteja crescendo rapidamente. De acordo com um estudo da consultoria imobiliária Jones Lang LaSalle, durante o primeiro semestre de 2003, o mercado de escritórios registrou uma demanda 4% maior do que no mesmo período de 2002. Isso, por sua vez, se traduziu em um aumento na taxa de ocupação, que atingiu 18% no primeiro semestre do ano.

Mas as condições variam consideravelmente de país para país. Enquanto a fragilidade da economia polonesa limitou a atividade de locação em 2003, a demanda permanece forte na Romênia e na República Tcheca. Especificamente, o otimismo dos investidores tem sido particularmente elevado na capital tcheca nos últimos meses, atraindo quase metade de toda a atividade nesses países. Enquanto isso, a demanda por ocupação continua muito forte em Moscou, onde os escritórios ocupam o quinto lugar no ranking de preços elaborado pela consultoria imobiliária Cushman & Wakefield.

Por onde começar

Atualmente, ainda existem muitos obstáculos para os empresários que desejam adquirir imóveis na Europa Oriental. Nesses países, leis específicas proíbem a aquisição de escritórios e instalações com capital estrangeiro.

Espera-se que essas questões legais desapareçam com a integração à União Europeia, mas um período de transição é possível. Portanto, o primeiro passo é buscar assessoria jurídica para determinar a melhor forma de entrar no mercado. Em alguns casos, a aquisição geralmente é feita por meio de um parceiro de investimento local.


Para assessorar empresários nesse tipo de transação, existem diversas empresas especializadas: as consultorias imobiliárias. Na Espanha, há muitas, embora algumas ainda não tenham atuado no mercado imobiliário da Europa Oriental.

Entre as consultorias imobiliárias internacionais com sede na Espanha estão a Cushman & Wakefield, a Jones Lang LaSalle, a Irea, a King Sturge, a Auguste-Touard e a Aguirre Newman.

Próximo passo: financiamento

Uma vez que o empresário esteja ciente dos problemas legais que poderá enfrentar caso deseje comprar ou alugar um imóvel na Europa Oriental, é hora de analisar as possíveis opções de financiamento.

Nesse sentido, deparamo-nos mais uma vez com outra barreira: a ausência de bancos espanhóis na Europa Oriental. Segundo declarações do Conselheiro Comercial da República Checa, Ales Macik, "Se se pretende realizar grandes projetos, é quase essencial ter um banco estrangeiro local presente, tal como já fizeram os franceses, italianos, alemães e até mesmo taiwaneses. Os bancos espanhóis estão ausentes dos países da Europa Central e Oriental e não tomaram a decisão de entrar na região. Sabemos que os bancos espanhóis têm algumas alianças com bancos alemães, mas essa não é a forma ideal de entrar na República Checa", explicou Macik.

Entre os bancos alemães com maior presença nos países da Europa Oriental, destaca-se o Eurohypo. Esta entidade, voltada para investidores imobiliários internacionais, é atualmente líder no continente e está muito bem estabelecida em países como a República Tcheca, a Eslováquia, a Polônia e a Hungria.

Entre os serviços que oferecem aos seus clientes estão a aquisição de imóveis, o refinanciamento imobiliário, o financiamento através de ativos imobiliários e o desenvolvimento de projetos financeiros. Desta forma, a Eurohypo financia e assessora os seus clientes na compra de edifícios de escritórios, centros comerciais e hotéis de negócios.

O impulso econômico

Além disso, é importante que os empreendedores estejam cientes das diversas fontes de apoio financeiro disponíveis para seus investimentos. Nesse sentido, é crucial distinguir entre o financiamento proveniente de instituições espanholas e o financiamento dos países onde o investimento está planejado.

Entre as primeiras opções estão os empréstimos e adiantamentos reembolsáveis ​​concedidos pelo Instituto Oficial de Crédito (ICO). Esta agência disponibiliza até três milhões de euros ou financiamento para 70% do projeto a empresas espanholas com menos de 500 funcionários que desejam estabelecer-se no exterior. O sistema de auxílio consiste num empréstimo com prazo de reembolso que pode variar entre 5 e 10 anos. O problema deste auxílio é que os empréstimos são geridos por bancos, o que muitas vezes reduz o benefício para o investidor.

Outros auxílios financeiros são oferecidos pelos diversos governos da Europa Oriental a empresas estrangeiras que decidem investir em seus territórios. Nesse sentido, os investidores espanhóis podem contatar as agências de investimento dos diferentes países, que os informarão sobre os subsídios adequados ao seu projeto empresarial.

Em cada país, essas agências ou escritórios têm nomes diferentes. Na República Tcheca, a entidade se chama Czech Invest; na Polônia, é a Agência Polonesa para Investimento Estrangeiro (PAIZ); na Federação Russa, a entidade a ser contatada é a Agência de Promoção de Comércio e Investimento (TIPA); e na Hungria, a Agência Húngara de Desenvolvimento de Investimento e Comércio (ITDH). Esta última possui uma filial em Barcelona, ​​o que inicialmente supera os problemas decorrentes do idioma e da distância entre os países.

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