O sector da carne espanhol encontra-se em estado de alerta máximo devido à combinação de desafios geopolíticos e comerciais pairando sobre a indústria. O recente Congresso da AECOC sobre Carne e Produtos Processados, celebrado em Lleida, destacou as principais preocupações dos profissionais do setor, entre elas o acordo entre a União Europeia e Mercosul, o retorno de figuras políticas globais e o crescimento tensões comerciais com a China.
Preocupações em destaque
Segundo pesquisa com quase 500 profissionais de empresas líderes do setor, o acordo entre UE e Mercosul lidera a lista de preocupações, com 48% das menções. Segue-se o regresso de figuras políticas globais à presidência do EUA UU. (23%), a implementação de tarifas por China (14%) e o guerra entre Rússia e Ucrânia (9%).
Os participantes enfatizaram a importância da colaboração em toda a cadeia de valor do setor de carnes em tempos de complexidade e máxima incerteza.
Um contexto geopolítico complexo
O Congresso contou com a participação de renomados especialistas, como Pol Morillas, diretor do CIDOB, que destacou a crescente importância da geopolítica no comércio internacional. Morillas alertou sobre a transição para um mundo pós-ocidental, marcado por uma política de soma zero e uma crise do multilateralismo. Neste contexto, as relações com a China apresentam-se como um desafio de segurança devido à sua aliança com a Rússia, considerada a maior ameaça ao Ocidente.
A voz do setor
Durante a abertura do Congresso, José María Bonmatí, gerente geral da AECOC, enfatizou a importância da colaboração em toda a cadeia de valor do setor de carnes em tempos de complexidade e máxima incerteza. Bonmatí destacou a necessidade de destacar o acordo alcançado entre o Governo catalão e a Revolta Pagesa para desburocratizar o setor agrícola, uma das principais reivindicações do grupo.
"Em um contexto de alta pressão regulatória que gerou mobilizações no setor primário em toda a Europa, devemos valorizar o acordo alcançado esta semana entre o Governo da Generalitat e a Revolta Pagesa para reduzir a burocracia no setor agrícola, uma das principais reivindicações do grupo", afirmou Bonmatí.
O CEO da AECOC também alertou sobre a proliferação de notícias falsas que influenciam as tendências de consumo, especialmente entre os jovens. "É essencial fortalecer o papel da comunidade científica e acadêmica no combate à desinformação com dados rigorosos e baseados em conhecimento", afirmou Bonmatí.
Por sua parte, o Oscar Ordeig, Ministro da Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação da Generalitat de Catalunya, destacou a importância de O setor da carne como pilar fundamental da economia catalã"O setor da carne está se consolidando como um pilar fundamental, não apenas em termos de emprego e riqueza, mas também como um motor de soluções inovadoras e clareza estratégica", afirmou Ordeig.
Desafios e oportunidades
Ana Rodríguez Castaño, Secretária Geral de Recursos Agrícolas e Segurança Alimentar do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação, destacou as negociações comerciais com China, EUA e CanadáEm relação ao acordo com o Mercosul, ele assegurou que "trata-se de um acordo tanto político quanto comercial, mas que não afeta as normas de segurança alimentar".
Carlos BuxadéO professor Buxadé, professor universitário e professor emérito da UPM (Universidade Politécnica de Madrid), analisou o futuro do setor de carnes, destacando o declínio progressivo no consumo de carne na Espanha. "Em 2024, o consumo doméstico per capita de carne caiu de 62 para 45 quilos, e as projeções para 2035 apontam para uma queda ainda maior, para entre 50 e 32 quilos", observou Buxadé.

