De acordo com consultorias, a atividade imobiliária na Europa está se recuperando. Madri e Bruxelas registraram o maior crescimento de investimentos em 2003, em comparação com outras capitais como Londres e Frankfurt, que viram sua participação de mercado diminuir.
A atividade de locação no mercado europeu de escritórios está se recuperando após a queda acentuada ocorrida entre 2001 e 2002. Essa é a avaliação da consultoria Auguste-Thouard em seu mais recente estudo sobre o setor, que estima um aumento de 2% em 2003. Segundo o relatório, diversos mercados imobiliários se mantiveram estáveis na Europa, apesar da recessão econômica do início do ano passado. Foi a partir do terceiro trimestre que a economia começou a se recuperar, o que, por sua vez, explica o aumento da atividade imobiliária em alguns mercados.
Das onze capitais analisadas, Madri e Bruxelas se destacaram como os mercados mais dinâmicos, com o total de investimentos em constante crescimento. Madri, em particular, registrou a maior taxa de crescimento de toda a Europa: 55% entre 2002 e 2003. Isso confirma a ascensão contínua de um mercado que segue demonstrando seu potencial.
Em Bruxelas, o mercado também apresenta altos retornos e um forte aumento no volume de negociações. No entanto, enquanto o desempenho dinâmico do mercado de Madri se explica pela expansão econômica do país, a recuperação de Bruxelas se deve principalmente à influência do setor público, que responde por quase 50% do total absorvido durante o ano.
Por outro lado, o mercado londrino foi o mais afetado pela queda no investimento em escritórios, com uma redução de 32%. Assim, a capital inglesa, que representou mais de 37% do investimento total europeu desde 1999, viu sua participação de mercado cair para 28%. Grande parte dessa queda é atribuída à profunda crise do mercado de ações que impactou severamente um dos maiores centros financeiros da Europa. A conjuntura econômica e financeira favorável prevista para 2004, segundo o estudo, deverá ser acompanhada por uma recuperação no setor imobiliário da cidade.
No mercado alemão, as principais cidades registraram queda nos investimentos em escritórios. Cidades como Hamburgo e Düsseldorf, que estruturalmente apresentavam volumes de locação mais elevados, ficaram abaixo da média europeia. Frankfurt, juntamente com Londres, registrou a maior queda na Europa, de 32%. A melhora observada em Frankfurt ainda não se refletiu no mercado como um todo, devido à tendência de alta na taxa de vacância, que aumentou 6,2 pontos percentuais em doze meses, atingindo 13,9%.
Portanto, pode-se afirmar que as principais capitais europeias, aquelas que tradicionalmente lideraram o setor, viram sua participação no investimento global em escritórios diminuir, cedendo espaço para outras capitais, incluindo Madri e as áreas metropolitanas dos países que ingressaram recentemente na União Europeia. Contudo, cabe ressaltar que o investimento imobiliário em Londres e Paris ainda representa 55% do volume total investido no continente. O mercado parisiense manteve-se estável ao longo do ano, registrando uma queda de apenas 4% em 2003 e recuperando parte da participação de mercado deixada por Londres.
O mercado espanhol
Alugar ou comprar um escritório é muito atrativo para investidores internacionais. Em particular, Madri tem apresentado um desempenho acima da média nos últimos anos, consolidando sua posição como um dos centros econômicos mais importantes do continente. Segundo a análise de Auguste-Thouard, a capital espanhola ocupou o terceiro lugar na Europa em volume de investimentos em 2003.
Em relação aos aluguéis, a situação atual da capital espanhola aumenta sua atratividade no velho continente: ela se posicionou logo abaixo de Frankfurt, Paris e Londres, empatando com Munique e permanecendo acima de cidades como Bruxelas e Berlim.
Barcelona também figura entre os 10 principais mercados estudados. Com uma tendência semelhante, embora mais moderada, à de Madrid, a cidade continua seu crescimento iniciado em 2000, convergindo com cidades como Berlim, Amsterdã e Bruxelas — uma conquista significativa, considerando os desafios de sua expansão geográfica.
Não devemos esquecer também duas cidades espanholas em plena expansão: Valência e Sevilha. Ambas têm potencial para aumentar a sua importância no cenário europeu. Estão estrategicamente localizadas em Espanha e, em termos de arrendamento europeu, inserem-se num mercado nacional, partilhando, assim, características semelhantes a mercados como Edimburgo, Leeds ou Birmingham. Contudo, em termos de preços, ambas se situam abaixo dos praticados no mercado interno britânico, comparáveis a cidades como Lille ou Marselha. No contexto das perspetivas futuras para as cidades do Sul da Europa, tanto Valência como Sevilha têm um futuro promissor pela frente, que, segundo o estudo da consultora, deverá começar por oferecer espaços de escritórios de alta qualidade que respondam à procura europeia.
Em relação às previsões futuras, o mercado imobiliário europeu está ligado à economia e aos níveis de emprego, portanto, seu desempenho dependerá da evolução da situação econômica. A migração de empresas multinacionais para os mercados asiáticos provavelmente afetará o setor, que atualmente atravessa um período de recuperação.

