Fechar os livros contábeis não é uma formalidade: é uma ferramenta para tomar melhores decisões.

Julho costuma ser um mês movimentado para as empresas. Para muitas companhias cujo ano fiscal coincide com o ano civil, é o mês de apresentação da declaração do imposto de renda corporativo.


É também um momento para rever resultados, analisar desvios e começar a olhar com mais clareza para o segundo semestre do ano. No entanto, ainda existem empresas que abordam este período com uma certa reserva. Uma visão excessivamente limitada: cumprir, apresentar e seguir em frente.

 

O problema dessa abordagem é que ela deixa de lado a parte mais valiosa do fechamento contábil e fiscal. Porque uma revisão adequada não se resume a evitar erros ou cumprir as normas. Isso ajuda a compreender melhor a empresa.

 

Em meados do ano, os dados contábeis já contavam uma história bastante precisa.Como está a evolução da rentabilidade, qual o impacto dos custos, como está a comportar as finanças, se existem saldos pendentes difíceis de recuperar, se as despesas estão a ser registadas corretamente ou se a empresa está a tirar o máximo partido das opções fiscais permitidas pela legislação. A questão é se a empresa simplesmente registra essas informações ou se de fato as interpreta.

 

Essa é a diferença entre a contabilidade entendida como uma obrigação administrativa e uma contabilidade mais analítica, usada como ferramenta de gestão.

 

Um dos primeiros pontos a serem revisados ​​é a consistência entre a contabilidade e as obrigações fiscais periódicas. As contas relacionadas ao IVA, retenções na fonte, adiantamentos, folha de pagamento, Segurança Social ou Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas não devem ser analisadas isoladamente, mas sim em conjunto. reconciliados com os modelos correspondentesAo deixar essa revisão para o final, fica mais fácil encontrar discrepâncias, itens pendentes ou saldos que não refletem com precisão a realidade da empresa.

 

Também é conveniente Analise o tesouro e a dívida com especial atenção.Não basta saber quanto dinheiro há no banco. É preciso analisar os prazos de vencimento, as dívidas de curto e longo prazo, os limites de crédito utilizados, os juros acumulados e as potenciais pressões de liquidez decorrentes de impostos, investimentos ou crescimento. Em muitos casos, o problema não é a falta de atividade, mas sim a incapacidade de prever corretamente quando os recebimentos, os pagamentos e as obrigações tributárias ocorrerão.

 

Outra área particularmente relevante são os ativos fixos.A empresa deve verificar se seus ativos estão registrados corretamente, se existem projetos em construção que já entraram em operação, se a depreciação está sendo aplicada de forma consistente e se certas despesas deveriam ter sido registradas como parte do valor do ativo, em vez de como despesa do período. Essa revisão pode ter um impacto direto tanto no lucro contábil quanto na base de cálculo do imposto de renda corporativo.

 

O mesmo se aplica às ações.Em empresas com estoque, os níveis de estoque não podem ser aproximados ou baseados unicamente na experiência comercial. Deve haver uma identificação clara dos itens, uma avaliação adequada e, quando aplicável, evidências suficientes para justificar as perdas por redução ao valor recuperável. Caso contrário, o balanço patrimonial pode apresentar uma imagem distorcida da real situação financeira da empresa.

 

A avaliação de clientes e fornecedores também costuma revelar informações valiosas. Verificar se todas as faturas emitidas e recebidas estão registradas, analisar saldos anteriores, revisar transações com partes relacionadas e avaliar contas a receber de cobrança duvidosa não é uma tarefa simples. Isso pode antecipar problemas de liquidez, riscos tributários ou ajustes que afetarão o lucro ou prejuízo do ano.

 

Em relação às despesas, Um dos pontos-chave é distinguir entre despesa contábil e despesa dedutível de impostos. O simples fato de uma despesa ser registrada não significa automaticamente que ela possa reduzir a base tributável. Ela deve ser justificada, contabilizada corretamente, alocada adequadamente ao exercício fiscal e relacionada à atividade empresarial. Além disso, certos itens — como multas, doações, algumas baixas contábeis ou determinadas despesas financeiras — podem exigir ajustes fiscais. No caso da remuneração de diretores, por exemplo, é importante verificar se ela está prevista no contrato social e devidamente aprovada, quando necessário, para comprovar sua dedutibilidade.

 

Além de tudo isso, há o próprio planejamento tributário. O Imposto de Renda Corporativo não deve ser calculado apenas no momento da declaração. A compensação de bases tributáveis ​​negativas, a aplicação de reservas, as deduções para P&D&I, a criação de empregos, os investimentos e certas depreciações exigem análises prévias. Algumas decisões ainda podem ser tomadas durante o exercício; outras, se não tiverem sido planejadas com antecedência, simplesmente chegam tarde demais.

 

É por isso que julho é um Uma boa altura para fazer algumas perguntas que vão além dos impostos.A empresa está gerando a margem esperada? Há alguma despesa ou investimento que deva ser revisado antes do final do ano? Há algum prejuízo fiscal a ser compensado? Os incentivos fiscais disponíveis estão sendo aplicados corretamente? A estrutura corporativa ainda é eficiente? O fluxo de caixa suportará o crescimento projetado? Há alguma transação com partes relacionadas que necessite de melhor documentação?

 

Essas questões são especialmente relevantes para empresas em crescimento, que operam em múltiplos mercados, fazem parte de um grupo empresarial ou estão considerando investimentos, financiamentos, reorganizações corporativas ou o início de novos projetos. Nesses casos, O processo de encerramento contábil e fiscal deixa de ser uma revisão de rotina e se torna um elemento-chave na tomada de decisões com mais informações e menos riscos.

 

Resumindo, cumprir corretamente as obrigações fiscais é essencial, mas não suficiente. A verdadeira oportunidade reside na utilização de informações contábeis e fiscais para antecipar e corrigir desvios, além de preparar melhor o segundo semestre do ano.

 

Empresas que encaram o encerramento de atividades como uma mera formalidade costumam demorar a tomar muitas decisões. Quem entende a tecnologia como ferramenta de gestão consegue detectar riscos antes que se tornem problemas.Para melhor aproveitar seus recursos e planejar seu crescimento com maior segurança.

 

Julho não deveria ser apenas o mês de declarar o imposto de renda. Deveria ser, acima de tudo, o mês da reforma tributária. Chegou a hora de analisar a empresa com rigor e questionar se os números realmente estão ajudando a tomar decisões melhores.

Javier Martinez,

SÓCIO-GERENTE DA LEIALTA

 

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