Os países membros da Mercosul, que inclui Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, alcançaram um marco em sua agenda de internacionalização ao fechar um acordo comercial com o seleto grupo de nações que compõem a EFTAIslândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Este tratado, um dos mais abrangentes e ambiciosos assinados até hoje, foi anunciado durante a cúpula semestral do bloco sul-americano, realizada na capital argentina.
O acordo é de magnitude considerável, envolvendo um Produto Interno Bruto (PIB) combinado superior a US$ 4,3 trilhões. Nos termos negociados, o acesso preferencial é estabelecido para mais de 97% dos fluxos de exportação em ambas as direções. Como destacou o Ministro das Relações Exteriores da Argentina, Gerardo Werthein, "Ambos os lados se beneficiarão do melhor acesso ao mercado para mais de 97% de suas exportações, resultando em aumento do comércio bilateral e benefícios para empresas e indivíduos.".
O âmbito do acordo é muito amplo e não se limita apenas ao comércio de bens. Abrange capítulos cruciais para a economia moderna, como serviços, investimentos, proteção da propriedade intelectual, compras governamentais, políticas de concorrência e regras de origemInclui também marcos regulatórios para defesa comercial, medidas sanitárias e fitossanitárias e a eliminação de barreiras técnicas ao comércio, bem como um mecanismo de resolução de disputas e um compromisso com o desenvolvimento sustentável.
A redução tarifária será implementada progressivamente. Os países da EFTA comprometeram-se a abolição total e imediata dos direitos aduaneiros para bens industriais do Mercosul, incluindo produtos pesqueiros e marinhos. Por sua vez, o bloco sul-americano terá um prazo de até Anos 15 eliminar gradualmente as tarifas sobre a maioria das importações industriais de seus novos parceiros europeus.
O entusiasmo pelo acordo era palpável entre os líderes europeus. Guy Parmelin, vice-presidente da Confederação Suíça, descreveu-o como “um acordo importante para todos”Parmelin destacou os benefícios para o bloco sul-americano, ressaltando que Os países do Mercosul recebem acesso preferencial aos mercados de alta renda da EFTA, com mais de 14 milhões de consumidores. Acesso isento de tarifas para todos os produtos industriais, além de preferências comerciais, cotas e até mesmo liberalização total para exportações essenciais, como vinho tinto, carne e café..
O caminho até aqui foi longo, com um processo de negociação iniciado em 2015 e que exigiu quatorze rodadas formais. A negociadora-chefe da Suíça, Helene Budliger, confirmou a urgência da finalização do acordo: Este acordo é uma prioridade máxima para os países da EFTA, e intensificamos as negociações. Queremos agilizar o acordo o máximo possível. Depende de questões burocráticas, como traduções, mas será uma prioridade..
Agora, o próximo passo é a assinatura oficial e a subsequente ratificação pelos parlamentos de cada uma das nações envolvidas. Do Brasil, o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, expressou o firme compromisso de seu governo em agilizar esse processo, afirmando que: "O Brasil espera ratificar o pacto durante sua presidência pro tempore do Mercosul."A previsão é que o acordo entre em vigor definitivamente nos próximos meses de 2025.

