Fundada em junho de 1988, a TransTOOLs é uma empresa com capital e tecnologia totalmente europeus. A TransTOOLs consolidou sua presença no mercado nacional e internacional. Essa maturidade tecnológica e comercial é sustentada por uma gama de produtos robustos e competitivos que atualmente possui uma ampla base instalada.
Como e por que a empresa iniciou seu processo de internacionalização? Quais métodos e produtos foram utilizados nesse processo?
A decisão de exportar começou em 1994. Convencidos de que precisávamos expandir nosso mercado, evoluímos naturalmente primeiro para a América Latina, devido à facilidade do idioma, realizando projetos de informatização nos quais o elemento-chave eram as ferramentas de software e seu desenvolvimento, mas nos quais também atuávamos como integradores, oferecendo hardware, telecomunicações e todos os serviços associados à implementação.
Atualmente, mantemos essa linha de negócios na Divisão Internacional, combinada com a internacionalização por meio do produto que lançamos há alguns anos, principalmente com as ferramentas chamadas Caravel, dedicadas à conversão automática de sistemas escritos em RPG, COBOL, Visual Basic e outras linguagens para Java™, desta vez voltadas principalmente para o mercado europeu e norte-americano.
Nesse aspecto, a TransTOOLs tem a vantagem de ter escolhido o Java como seu ambiente de desenvolvimento de aplicações, pois acreditamos que ele seja líder em ambientes abertos e suporte multiplataforma. Acreditamos que, atualmente, dentro do setor de serviços de software, a conversão de sistemas é a única atividade que apresenta crescimento sustentado. Relatórios de importantes consultorias indicam que as empresas estão investindo mais recursos em software do que em hardware, especialmente em ferramentas para otimizar aplicações existentes.
Qual a sua opinião sobre o estado atual do setor tecnológico na Espanha? E nos outros países onde a TransTOOLS está presente? Quais dos produtos da empresa têm maior demanda no exterior?
Na Espanha, as grandes empresas continuam a privilegiar sistemas estrangeiros, alegando a segurança percebida no suporte a longo prazo e, por vezes, considerações políticas. No entanto, observa-se uma tendência crescente de pequenas e médias empresas (PMEs) espanholas optarem por software de produção nacional.
No caso da TransTOOLs, temos observado um aumento no número de empresas espanholas que estão empenhadas em adotar nossos sistemas ERP e CRM. De qualquer forma, continuamos a priorizar as exportações, como demonstra o fato de que, em nossos números de 2002, 70% da nossa receita veio de mercados internacionais.
Na América Latina existe incerteza, mas também um alto potencial de crescimento, e na TransTOOLs temos desenvolvido atividades comerciais nessa área há vários anos, como demonstra a abertura, em 2002, de filiais em Caracas e Quito para poder prestar serviços técnicos aos projetos que estão sendo desenvolvidos nesses países.
Em 2003, queremos abrir filiais no Canadá e expandir nossa presença na Europa.
Da mesma forma, começamos a expandir para a Ásia, mantendo um escritório em Jacarta (Indonésia) há anos.
Nossa estratégia de produto para o mercado externo concentra-se nas ferramentas Caravel, mantendo também o desenvolvimento de grandes projetos internacionais, nos quais atuamos como contratante principal, parceiro tecnológico e integrador.
Tendo em vista a futura expansão europeia, a empresa considerou os dez novos países que comporão a nova Europa? Quais são seus projetos mais imediatos?
Na Europa, o plano é manter a estrutura atual na França e na Alemanha e iniciar as operações na Inglaterra e na Itália, onde já obtivemos progressos satisfatórios.
-Que conselho daria a um empreendedor espanhol que está prestes a iniciar sua jornada internacional?
Essencialmente, este conselho contém dois ingredientes-chave: incentivo e paciência. Iniciar uma expansão internacional é sempre complexo e dispendioso, e as circunstâncias atuais não são particularmente favoráveis. Salvo raras exceções, o mercado externo é sempre uma maratona, não uma corrida de curta distância; portanto, é crucial manter o foco nos objetivos, mesmo quando os resultados não são os esperados.

