O investimento estrangeiro na Nicarágua está aumentando.

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) na Nicarágua cresceu 38.5% no ano passado, contrariando a tendência de queda de 19% registrada na América Latina, segundo o último relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas, divulgado oficialmente ontem.

No documento "Investimento Estrangeiro na América Latina e no Caribe, 2003", os investimentos realizados no país durante todo o ano anterior na Nicarágua totalizaram 241 milhões de dólares, em comparação com os 174 milhões de dólares registrados em 2002. O setor econômico que apresenta o maior volume de Investimento Estrangeiro Direto (IED) na Nicarágua é o das zonas francas.

O investimento estrangeiro direto (IED) na América Latina e no Caribe atingiu US$ 36,500 bilhões no ano passado, representando uma queda acentuada de 19% em comparação com 2002, que totalizou US$ 44.979 bilhões, de acordo com o relatório da CEPAL.

O setor de serviços atraiu 57% do investimento total da região, seguido pelo setor manufatureiro, que inclui empresas em zonas de livre comércio, com 28%.

Segundo a CEPAL, a evolução do investimento acompanhou a dinâmica do setor de serviços.

Os principais investidores na região da América Latina são os Estados Unidos, com uma participação de mercado de 32%. A Espanha vem em seguida, com 19%, e os Países Baixos, com 8%, entre outros países.

José Luis Machinea, secretário-executivo da CEPAL, afirmou durante o lançamento do relatório no Chile, sede da organização, que a transformação da América Latina resultou em melhorias significativas nos setores industrial e de serviços, bem como na infraestrutura. Ele citou como exemplos as plataformas de exportação do México e da Costa Rica e a melhoria da rede de telecomunicações do Brasil. A América do Sul foi a região que menos recebeu investimentos nos últimos anos.

Segundo o economista Néstor Avendaño, embora o relatório da CEPAL indique crescimento econômico devido ao investimento na Nicarágua, os números não são animadores quando comparados ao montante de dinheiro que entra em outros países da América Latina.

"Como o investimento na Nicarágua é tão baixo, qualquer aumento parece muito grande, embora não seja. Se compararmos apenas os dados preliminares de investimento do ano passado, estimava-se que chegaria a 200 milhões de dólares, ou seja, menos de cinco por cento do Produto Interno Bruto do país", afirmou Avendaño.

No entanto, ele afirmou que, após o cancelamento da dívida externa pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a perspectiva poderia mudar significativamente, embora o Judiciário ainda precise ser reestruturado, a questão da propriedade precise ser resolvida, a instabilidade política precise ser abordada e os protestos precisem ser impedidos de prejudicar ainda mais a imagem do país.

O jornal LA PRENSA tentou obter a versão do governo, mas não foi possível localizar nenhum dos funcionários ligados ao setor de investimentos.

PERSPECTIVAS

Nos próximos quatro anos, o país deverá receber mais de 300 milhões de dólares em Investimento Estrangeiro Direto (IED), de acordo com projeções da Agência Nicaraguense de Promoção de Investimentos (ProNicaragua).

Um dos setores que deverá receber o maior volume de IED (Investimento Estrangeiro Direto) é o das zonas francas, sendo as áreas de fabricação têxtil e de vestuário as mais propensas a recebê-lo, embora os investimentos em tecnologia não estejam descartados.

Segundo a ProNicaragua, o investimento estrangeiro direto (IED) deverá ultrapassar os 45 milhões de dólares este ano. No próximo ano, a previsão é de que ultrapasse os 60 milhões de dólares, em 2006 cerca de 85 milhões de dólares e, em 2007, mais de 115 milhões de dólares anualmente.

Os números apresentados pela ProNicaragua diferem consideravelmente daqueles calculados pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), das Nações Unidas, em seu relatório.

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